O Príncipe das Trevas na luz

Aos 46 anos, Marilyn Manson faz uma revisão da vida e carreira visível no novo álbum, “The Pale Emperor”

iG Minas Gerais | Melena Ryzik |

Empréstimo. Marlyn Manson na casa em que está vivendo, emprestada do amigo Johnny Depp
[CREDITO]Michael Lewis / The New York Times
Empréstimo. Marlyn Manson na casa em que está vivendo, emprestada do amigo Johnny Depp

West Hollywood, Eua. “Estamos bebendo ‘wodka’”, disse Marilyn Manson, pronunciando a palavra como se fosse uma personagem de desenho animado russo com seu chapéu de pele, enchendo o copo. Aliás, dois copos: como qualquer músico, ele sabe que um companheiro de bebida é boa audiência.

Saiu da cozinha cor pêssego da casa emprestada por seu amigo Johnny Depp e atravessou a sala de jantar, passando por um baú de máscaras e fantasias. Havia um cavalo, uma mulher de cabelo comprido, máscaras prateadas. “Essas são minhas coisas Max Ernst; é algo particular. Fico bêbado e compro um monte de coisas na Amazon”, disse ele.

Seguindo para a sala de estar, onde faz uma pausa para exibir um teremim de 1927, sentou-se em um sofá de veludo segurando a bebida, exibindo as unhas pintadas com esmalte preto. Ele usava um traje escuro cheio de botões, resto de maquiagem dos olhos e cabelo cortado. A sala era fria, do jeito que ele gosta, apropriada para um artista conhecido por sua atração por cemitérios e coleções de armas da era nazista.

Já houve um tempo, anos atrás, em que conversar com ele causaria certo calafrio, dada sua cultivada aura de príncipe das trevas, comportamento às vezes estranho e casos de briga e agressão; agora, ele acabava de sair de uma filmagem na outra sala cantando “The Thong Song” animadamente. “‘The Thong Song’ (canção do açoite) é uma música forte”, disse ele, usando seu tipo favorito de jogo de palavras. Marilyn Manson, ao que parece, realmente gosta de um trocadilho.

Nascido Brian Warner, Marilyn Manson, como ficou conhecido durante mais da metade de sua vida, enfrenta certa crise de identidade. Aos 46 anos, com uma bem-sucedida carreira de astro gótico do rock e agitador, ele tem sofrido com as mudanças na indústria da música, uma cultura que não tolera muito composições inflamatórias e cenografia de palco, além do início um pouco atrasado da maturidade.

“Admito para mim mesmo que, nos últimos anos, não fui tão grande quanto queria ser – como pessoa, como músico, como artista”, ele disse.

Agora está tentando fazer uma revisão à la Manson de sua vida e carreira. Depois de anos de abuso de drogas e uma curta temporada de reabilitação, ele finalmente é um maconheiro cumpridor da lei, graças a um atestado médico que conseguiu por causa de um dedo do pé quebrado. Aparece em filmes e na TV e anda levando a atuação mais a sério, encarnando um supremacista branco no fim da temporada do programa “Sons of Anarchy”, do canal FX, no ano passado. O astro desse seriado, Charlie Hunnam, o incentivou a malhar, e ele até parou de beber seu amado absinto para ajudar na silhueta.

Seu novo álbum, “The Pale Emperor” (Loma Vista Recordings), lançado no dia 20 de janeiro, traz uma grande mudança. Foi escrito com um novo colaborador, o compositor de trilhas sonoras Tyler Bates, conhecido por épicos de aventura e ficção científica como “300” e ‘Guardiões da Galáxia”.

Embora as letras partam para o já familiar lado negro – ele se declara o “Mefistófeles de Los Angeles” –, musicalmente tende a riffs de blues rock e se afasta da superprodução industrial. O álbum é dedicado à sua mãe, Barbara, que morreu em maio, após uma longa batalha contra a demência, que o afetou profundamente. Seu papel em “Sons of Anarchy” foi em parte um tributo a seu pai, Hugh, grande fã do programa.

Tom Whalley, fundador da Loma Vista e ex-executivo da Interscope, selo original de Manson, disse que não precisou de muito para contratá-lo, com base principalmente na música. “Quando ouvi, pensei: ‘Uau, isso é novo’. Percebi que era um momento muito criativo, coisa que, a essa altura da carreira, a maioria das pessoas não tem”, Whalley disse.

“Pessoalmente, também, o cara passou por um ano catártico. Com certeza acho que há um lance tipo ‘ressurgimento da fênix’ rolando aí”, disse o amigo e músico Shooter Jennings.

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