Cerveró recua depois de citar Dilma como sua testemunha

Decisão foi tomada menos de três horas depois de petição ter sido protocolada na Justiça Federal

iG Minas Gerais |

Mudança. Advogado voltou atrás depois de conversar com Nestor Cerveró, na cela da Polícia Federal
JONATHAN CAMPOS/ESTADÃO CONTEúDO - 14.1.2015
Mudança. Advogado voltou atrás depois de conversar com Nestor Cerveró, na cela da Polícia Federal

São Paulo. Menos de três horas, ontem, após pedir a intimação de Dilma Rousseff como testemunha, a defesa do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró recuou e apresentou uma nova petição à Justiça Federal pedindo a substituição da presidente da República por uma outra testemunha, Ishiro Inagaki, de Tóquio. O advogado Edison Ribeiro justificou a troca “uma vez que a decisão sobre a aquisição das sondas foi privativa da diretoria da Petrobras, não passando pelo Conselho de Administração, onde a testemunha ora substituída (Dilma Rousseff) exercia a presidência”.

Na ação penal, Cerveró e o lobista Fernando Antônio Falcão Soares, conhecido como Fernando Baiano, são acusados de receber propina de cerca de US$ 30 milhões para viabilizar contratos de navios-sonda para a Petrobras.

Os pagamentos teriam sido feitos por Júlio Camargo, representante da empresa Toyo Setal, a Baiano, que atuaria diretamente na Diretoria Internacional, na época dos fatos comandada por Cerveró.

Ribeiro minimizou o episódio e disse que a troca foi motivada após uma conversa com Cerveró na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, onde o ex-diretor está preso. “Não foi nada demais, eu havia colocado a presidente (Dilma) e o (Sérgio) Gabrielli porque um foi presidente da Diretoria Executiva e outro do Conselho de Administração (da Petrobrás). Mas, ao conversar com Nestor Cerveró ele me disse que neste caso (pagamento de propina em compra de navios-sonda pela estatal) a decisão foi exclusiva da diretoria, não passou pelo conselho”, explicou.

Questionado se há perspectiva de elencar a presidente como testemunha em outros episódios investigados pela Lava Jato, o advogado afirmou que ainda não pode adiantar nada. “Cada caso é um caso. Eu examino e vejo quais são as melhores testemunhas, como aconteceu hoje”, assinalou.

Mudança. O documento inicial citando a presidente entrou no sistema da Justiça Federal às 13h45 de ontem, a petição solicitando a substituição de Dilma entrou às 16h27. Na defesa preliminar de 18 páginas em que cita Dilma, encaminhada mais cedo, Ribeiro alega inicialmente a incompetência do juiz Sérgio Moro para julgar a ação. Segundo o advogado, houve cerceamento da defesa, pois até hoje não teve acesso à íntegra da delação premiada de Paulo Roberto Costa, e pede a absolvição sumária do réu.

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