Ações da Vale caem mais de 4% e empurram Bolsa para baixo

A avaliação de analistas é que o noticiário negativo tanto no Brasil quanto no exterior também colaborou para ampliar a cautela entre os investidores

iG Minas Gerais | Folhapress |

Diretoria executiva da Vale propõe pagar US$ 2,1 bilhões a acionistas
Vale/Divulgação
Diretoria executiva da Vale propõe pagar US$ 2,1 bilhões a acionistas

As ações da mineradora Vale caíram mais de 4% nesta segunda-feira (26), empurrando o principal índice da Bolsa brasileira para o vermelho. Os papéis reagiram ao corte no rating da companhia pela Standard & Poor's, na última sexta (23), além do novo tombo no preço do minério de ferro na China.

A avaliação de analistas é que o noticiário negativo tanto no Brasil quanto no exterior também colaborou para ampliar a cautela entre os investidores. Internamente, a possibilidade de um racionamento de água e energia ameaça prejudicar o já enfraquecido desempenho econômico do Brasil, enquanto lá fora a vitória de um partido esquerdista na Grécia acendeu um sinal de alerta no continente.

O Ibovespa fechou em baixa de 0,41%, para 48.576 pontos. O volume financeiro foi de R$ 4,759 bilhões. A ação preferencial da Vale, sem direito a voto, recuou 4,59%, para R$ 17,48, enquanto a ordinária, com direito a voto, mostrou baixa de 4,58%, para R$ 19,58.

Diante do aumento na oferta global de minério e preocupações persistentes sobre o crescimento econômico da China neste ano, o contrato do minério com 62% de teor de ferro no mercado à vista chinês despencou 4,34% nesta segunda, para US$ 63,54 por tonelada -menor preço em cinco anos e meio. O país asiático é o principal destino das exportações da Vale.

Na última sexta-feira (23), a Vale teve seu rating de longo prazo em moeda estrangeira cortado pela agência de classificação de risco Standard & Poor's de A- para BBB+. As ações da Bradespar, que possui participação na Vale, também caíram nesta segunda. Os papéis recuaram 6,22%, para R$ 12,67 cada um.

"A dinâmica do minério tem prejudicado o fluxo de caixa operacional da empresa, justificando o corte pela S&P. Como a mineradora tem uma participação considerável no Ibovespa, ela acabou prejudicando o desempenho do índice", disse Julio Hegedus, economista-chefe da Lopes Filho.

Para Hegedus, os investidores seguem de olho em eventos previstos para a semana, que podem mudar o rumo dos mercados. "Tem reunião do Fomc [comitê de política monetária do BC americano] nos Estados Unidos e a possibilidade de divulgação do balanço da Petrobras. São eventos importantes", afirmou.

As ações preferenciais da Petrobras cederam 0,90%, para R$ 9,91 cada uma, ajudando a manter o Ibovespa no vermelho. Os investidores esperam que o balanço não auditado do terceiro trimestre de 2014 previsto para esta semana considere baixas correspondentes ao impacto da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. As ações ordinárias da estatal subiram 0,21%, para R$ 9,54.

Na Europa, os principais índices de ações subiram, apesar da vitória do líder de esquerda grego Alexis Tsipras na eleição de domingo (25). Tsipras prometeu que cinco anos de austeridade, "humilhação e sofrimento" impostos por credores internacionais estavam encerrados com a vitória de seu partido. A Bolsa de Atenas, no entanto, cedeu 3,20%.

O euro chegou a cair no começo do dia, refletindo a cautela com a economia grega, e bateu em seu menor patamar em 11 anos. A moeda comum da zona do euro, no entanto, se recuperou e fechou em leve alta de 0,22% em relação ao dólar, cotada em US$ 1,128 na venda.

"O mercado não sabe se esse populismo será irresponsável, ou será algo parecido como o que o Lula foi no Brasil, mais pragmático. O risco de o país deixar a zona do euro existe, mas é baixo. O partido esquerdista grego não terá muito espaço para radicalismos porque há um desgaste muito grande na região como um todo", completa Hegedus.

Internamente, segundo analistas, permanece no mercado a cautela em relação ao possível racionamento de água e energia no país, o que pode afetar negativamente o já enfraquecido desempenho econômico do Brasil.

O relatório Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda (26), mostrou que a estimativa em relação ao crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2015 despencou a 0,13%, contra 0,38% no levantamento anterior. Foi a quarta semana seguida de redução.

CÂMBIO

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, subiu 0,23% sobre o real, para R$ 2,589 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, teve ligeiro avanço de 0,03%, para R$ 2,590.

O Banco Central do Brasil deu continuidade ao seu programa de intervenções diárias no câmbio, por meio do leilão de 2.000 contratos de swap cambial (operação que equivale a uma venda futura de dólares), por US$ 98,8 milhões.

A autoridade também promoveu um outro leilão para rolar 10 mil contratos de swap que venceriam em 2 de fevereiro, por US$ 491,4 milhões. Até o momento, o BC já rolou cerca de 80% do lote total com prazo para o segundo dia do mês que vem, equivalente a US$ 10,405 bilhões.

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