UE se mantém firme contra postura anti-austeridade do Syriza

Esta semana reúnem-se em Bruxelas os ministros da Economia do Eurogrupo para falar da situação grega, um dia depois de o Syriza ter saído vitorioso das eleições legislativas

iG Minas Gerais | AFP |

 Alexis Tsipras comemora vitória nas eleições gregas
AFP PHOTO / LOUISA GOULIAMAKI
Alexis Tsipras comemora vitória nas eleições gregas

A União Europeia mostrou firmeza nesta segunda-feira em relação à Grécia, após a vitória histórica nas eleições legislativas do partido de esquerda Syriza, que quer "deixar para trás a austeridade", e alertou que sua permanência na zona do euro está sujeita ao cumprimento de seus compromissos.

Da chanceler alemã Angela Merkel ao presidente do Eurogrupo, Jeoren Dijsselbloem, passando pelo primeiro-ministro finlandês, Alexander Stubb, os defensores da austeridade pediram que a Grécia respeite seus compromissos, tanto no que se refere à dívida como às reformas, se quiser que seus sócios sejam flexíveis.

Esta semana reúnem-se em Bruxelas os ministros da Economia do Eurogrupo para falar da situação grega, um dia depois de o Syriza ter saído vitorioso das eleições legislativas.

O partido anti-austeridade conseguiu nesta segunda-feira uma aliança para formar governo com um pequeno partido de direita, também avesso às políticas de rigor fiscal dos credores.

Ao confirmar sua vitória, Alexis Tsipras, líder do Syriza, anunciou no domingo sua intenção de negociar com os credores do país "uma nova solução viável, que beneficie a todos". Mas alguns funcionários da UE já demonstraram nesta segunda-feira firmeza contra essa postura grega.

"Pertencer à zona euro significa que se deve respeitar o conjunto dos acordos", disse nesta segunda-feira Jeroen Dijsselbloem, ao chegar à reunião ministerial em Bruxelas.

"Sobre esta base estamos prontos para trabalhar com eles", acrescentou em referência a Tsipras, que assume o posto de primeiro-ministro nesta segunda-feira.

Um dos grandes problemas da Grécia é a sua dívida gigantesca, que chega a 177% de seu PIB. Dijsselbloem descartou que esta seja uma questão urgente e disse que não acredita haver "muito apoio" para que se perdoe a dívida. 

A Alemanha, um dos principais credores da Grécia, junto com a França, descarta essa ideia e pede respeito aos acordos. 

"Na nossa opinião, é importante que o novo governo tome medidas que preservem a recuperação econômica da Grécia", disse Steffen Seibert, porta-voz da Merkel. "Isso significa que os compromissos adquiridos devem ser respeitados", acrescentou.

O ministro finlandês se pronunciou no mesmo sentido.

"Não estamos prontos para perdoar a dívida grega... Mas evidentemente estamos prontos para debater diversos programas", afirmou Alexander Stubb, que disse esperar que Atenas cumpra o acordado, embora tenha garantido estar disposto a "prolongar o prazo dos empréstimos".

Desde 2010 a Grécia vive sob assistência financeira. A UE e o Fundo Monetário Internacional (FMI) concederam empréstimos da ordem de 240 bilhões de euros, em troca de um programa de reformas e uma austeridade draconiana, que enfrenta a rejeição dos gregos, expressa nas eleições de domingo.

"Os ministros discutirão nesta segunda-feira as opções possíveis, assim como a sustentabilidade da dívida", afirmou Dijsselbloem.

"Não vamos escapar de uma renegociação", reconheceu uma fonte europeia em Bruxelas. O atual nível da dívida "não é sustentável" e "qualquer solução que não passe por uma real redução da dívida só provocará uma nova crise na Grécia", afirmou Jesús Castillo, do banco Natixis.

"Seria um erro rejeitar uma redução da dívida grega", afirmou Paul De Grauwe, da London School of Economics. "Não reduzi-la condenaria a Grécia a vários anos difíceis e se estimularia movimentos políticos extremistas".

Entre Merkel e Tsipras "haverá uma partida de pôquer apaixonante", antecipa Julian Rappold, do Instituto alemão de política externa, ressaltando a necessidade para Berlim de fazer "concessões". "A partida de xadrez acaba de começar", opinam os analistas do ING.

As próximas semanas de negociações entre Atenas e seus sócios serão "tensas", acrescentou outra fonte europeia.

Tsipras se reunirá pela primeira vez com seus homólogos da União Europeia no dia 12 de fevereiro em Bruxelas.

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