Kiev prepara retirada de crianças do leste separatista

O presidente russo, Vladimir Putin, acusou nesta segunda-feira o exército ucraniano de ser a "Legião Estrangeira da Otan", utilizada pelos ocidentais para conter a Rússia

iG Minas Gerais | AFP |

Surto de violência no leste da Ucrânia
Surto de violência no leste da Ucrânia

As autoridades ucranianas preparam nesta segunda-feira a retirada das crianças de várias partes do leste separatista da Ucrânia após os bombardeios sobre o porto estratégico de Mariupol e em previsão de uma ofensiva anunciada pelos rebeldes pró-Rússia.

Cresce a preocupação sobre um novo surto de violência no leste do país, horas antes de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU dedicada ao drama de Mariupol, onde morreram 30 pessoas no sábado em ataques atribuídos aos separatistas.

Neste contexto de tensão, o presidente russo, Vladimir Putin, acusou nesta segunda-feira o exército ucraniano de ser a "Legião Estrangeira da Otan", utilizada pelos ocidentais para conter a Rússia.

"De fato, não se trata de um exército, e sim de uma Legião Estrangeira, neste caso, uma Legião Estrangeira da Otan, que não tem como objetivo a defesa dos interesses nacionais da Ucrânia", declarou Putin em São Petersburgo, segundo imagens da televisão pública russa.

"Trata-se de outro objetivo geopolítico: conter a Rússia", acrescentou.

A Otan celebrará uma reunião extraordinária sobre a situação do país nesta segunda-feira à tarde, na qual intervirão representantes dos 28 membros da organização e ucranianos.

Os ocidentais intencionam aumentar a pressão sobre a Rússia para que deixe de apoiar os rebeldes, enquanto Moscou segue negando seu envolvimento no conflito.

De fato, o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, anunciou que Moscou fará todo o possível para facilitar o contato entre os rebeldes e Kiev nos próximos dias.

RETIRA DAS CRIANÇAS

Os ataques dos separatistas golpeiam agora toda a linha de frente, sobretudo o entorno da cidade estratégica de Debaltseve que conecta as capitais rebeldes de Donetsk e Lugansk.

Sete soldados ucranianos morreram e 24 ficaram feridos nas últimas 24 horas no leste do país, disse um porta-voz do exército ucraniano Vladislav Seleznev, que não confirmou onde. Segundo Kiev, os rebeldes dispararam 115 vezes sobre posições do exército e nas bases separatistas de Donetsk e Lugansk.

Dois civis também morreram durante a ofensiva no povoado de Troitske, no distrito de Popasna, cerca de 60 km a oeste de Lugansk.

Diante o aumento da violência, as autoridades ucranianas preparam a evacuação das crianças de várias localidades das regiões de Donetsk e Lugansk.

O chefe da polícia da região de Donetsk, Viatcheslav Abroskine, avisou aos rebeldes pro-Rússia que a polícia ia evacuar as criaças de Mariinka e Krasnogorivka (cerca de 20 km a oeste de Donetsk), onde os lançamentos de foguetes Grad se intensificaram, nos últimos dias, até a região de Dnipopetrovsk.

O governador de Kiev na região de Lugansk, Guennadi Moskal, afirmou que uma centena de crianças seguiam em Troïtske.

Cerca de 500 mineiros ficaram presos nesta segunda-feira em uma mina de carvão em Donetsk, por causa de um corte de eletricidade provocado pelos bombardeios, anunciou à AFP um responsável da autoproclamada República Popular de Donetsk, Julian Bedilo.

A situação segue tensa ao redor de Debaltseve, onde os separatistas "se empenham em uma operação para repelir as forças ucranianas", anunciou outro responsável dos separatistas de Donetsk, Eduard Basurin.

Questionado pela AFP um porta-voz ucraniano, Leonid Matiukin, confirmou os combates.

Os ataques com lança-foguetes Grad contra Mariupol (cidade industrial de meio milhão de habitantes), que a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) atribuiu aos rebeldes pro-Rússia, maracaram um antes e um depois do conflito que matou 5.000 pessoas.

A conquista de Mariupol, última grande cidade do leste nas mãos de Kiev, permitiu à Rússia e aos rebeldes criar uma ponte terrestre até a Crimeia, península ucraniana anexada por Moscou no último março.

Após os bombardeios sobre essa localidade, os Estados Unidos e a União Europeia denunciaram uma "escalada perigosa" do conflito e ameaçaram impor novas sanções econômicas à Rússia, que acusam de armar os rebeldes.

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