Acreditar desconfiando!

iG Minas Gerais |

Enquete do programa Arena SporTV da semana passada apontou o Atlético como o time brasileiro com maiores chances de ser campeão da Taça Libertadores da América, com 30,2% dos votos, seguido pelo São Paulo, com 22,8%, Internacional, 19,3%, Cruzeiro, 16% e o Corinthians com 11,7%. Este tipo de assunto é muito bom como pauta jornalística, mas não acrescenta nada a nenhum time de futebol. Também não subtrai, mas costuma iludir e provocar grandes frustrações. Em 1984 a revista Placar avaliou as possibilidades de cada participante do Campeonato Brasileiro daquele ano e a manchete era: “Pintou o campeão”, com uma foto do grande time do Atlético daqueles tempos, que tinha seis jogadores da seleção e comandado por Rubens Minelli, então o treinador mais vitorioso do país, tricampeão nacional com o Internacional e São Paulo. Na prática foi uma enorme decepção, causada pela falta de habilidade do treinador que se achava mais estrela que os jogadores e se queimou com o grupo por causa das entrevistas que deu no dia de sua apresentação na sede de Lourdes. Perguntado sobre a quantidade de craques que o Galo tinha, disse Minelli: “Este time é como um ovo de páscoa: muito bonito por fora, mas oco; sem nada por dentro”.

Boicote. O ambiente não podia ser pior, mas o time era bom demais. Deu goleadas nas três primeiras partidas e desandou a perder na sequência. Minelli não conseguia explicar as derrotas e jamais conseguiria. Foi deliberadamente boicotado por falar demais. Os jogadores queriam vê-lo longe. Demitido, foi substituído pelo supervisor Mussula e o time voltou a ganhar.

Reação tardia. O então presidente Elias Kalil resistia em demitir Minelli, mas quando foi convencido de que não haveria outro jeito, já era tarde, não dava tempo de brigar pelo título. Três anos antes, outro treinador tinha passado por isso no Atlético: Carlos Alberto Silva. Tempos depois, dois jogadores daquele time me contaram detalhes dessas passagens.

Ambiente. Os tempos mudaram. Este tipo de situação não acabou, mas é mais rara no futebol atual. Porém, a imprevisibilidade de quando a bola rola continua a mesma. O que não muda nunca é o fator ambiente. Um grupo unido é capaz de conquistas inacreditáveis. Levir Culpi conhece bem; Marcelo Oliveira, idem!

Remontagem. O Cruzeiro está perdendo jogadores importantes, mas vem contratando tão bons quanto e até melhores, como o De Arrascaeta, para mim, melhor que Everton Ribeiro. Mas Marcelo terá que remontar um time. O Atlético perdeu Tardelli, mas a maioria ficou, e a aposta em Dodô tem tudo para dar certo, retomando a tradição de encontrar soluções em casa.

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