A água como um bem de todos

iG Minas Gerais |

A crise de abastecimento de água e energia que vitima os grandes centros urbanos do país e que prevê chegarmos a uma realidade sem volta precisou bater nos seus limites máximos para sensibilizar governantes e a própria sociedade para a tomada de ações que o problema requer. A região metropolitana de São Paulo já convive com apagões de energia e forte racionamento de água há meses. O abastecimento na capital paulista foi racionado, com graves repercussões na vida dos paulistanos, que em muitas zonas da cidade recebem água apenas uma vez por semana. No Rio de Janeiro, na região de Duque de Caxias especialmente, a água não chega às torneiras todos os dias; o racionamento está ocorrendo para que haja água nos meses de estiagem. Na região metropolitana de Belo Horizonte, denúncia feita no último fim de semana pela nova diretoria da Copasa revela, muito tardiamente, que os reservatórios de abastecimento dessa zona vêm caindo de volume acentuadamente desde maio de 2013, quando tinham armazenados 83,94%; depois, tal redução foi se ampliando, até chegarmos hoje a apenas 5,8% de água armazenada frente a sua capacidade total. Tão grave quanto a falta d’água é a falta que fazem o planejamento, a adequação de investimentos e o zelo, esses sim racionados nas diversas esferas de gestão pública no Brasil, o que parece também ter ocorrido na Copasa. É verdade que vivemos uma realidade de baixos índices de chuva, mas é exatamente por isso mesmo que o planejamento deveria ter se antecipado com recomendações e medidas que levassem os consumidores, em especial a indústria, a racionalizar o uso da água e seu reaproveitamento. Além disso, ainda convivemos com o desperdício de absurdos 40% da água captada, o que é de uma estupidez sem medida. Quem pesquisar verá que as cidades que estão às margens dos rios São Francisco e das Velhas jogam nesses cursos d’água seus esgotos sem qualquer tratamento. Uso desmedido e irracional da água, falta de políticas públicas e de educação dos usuários e consumidores sobre abastecimento e saneamento, cidades que historicamente fazem dos nossos principais rios seus esgotos primários, escassez de recursos orçamentários das companhias e do ente público – para realizar investimentos inadiáveis nesses setores que cuidam do que se move e depende de água, do esgoto e do saneamento – são falências que, conjugadas como estão nesse momento, em Minas e em várias regiões do Brasil, têm a cada dia agravado o preço da sua solução. Chegamos ao limite. Essa conta é de todos nós.

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