Literatura para exportação

Revista a ser lançada no Salão do Livro de Paris é carta de apresentação de autores ao mercado editorial estrangeiro

iG Minas Gerais | Deborah Couto |

Para exportação. Cristovão Tezza teve 13 contos lidos pela gerente da Amazon e entrou no acervo
Cleones Ribeiro
Para exportação. Cristovão Tezza teve 13 contos lidos pela gerente da Amazon e entrou no acervo

É para dar um empurrão nos autores brasileiros em direção ao exterior que a “Revista Machado de Assis”, ou “Machado de Assis Magazine”, publica, anualmente, de 20 a 22 textos traduzidos para o inglês e o espanhol. Neste ano, soma-se o francês. As inscrições para a próxima edição (a sexta), que será lançada durante o 35º Salão do Livro de Paris 2015, estão abertas até 6 de fevereiro.

Uma parceria da Biblioteca Nacional com o Itaú Cultural, a revista teve sua edição anterior lançada na Feira do Livro de Frankfurt e tem como “carro-chefe” a versão online. Isso porque o objetivo da publicação é pulverizar internacionalmente a produção literária brasileira inédita. “Já conseguimos mais de 100 mil downloads de textos em nosso site. Isso, para o mercado, é muito importante. É através desse acesso que professores de literatura, agentes e editoras de outros países chegam aos trabalhos de nossos autores. Quem baixa essas publicações são profissionais”, conta o gerente de audiovisual do Itaú Cultural, Claudinei Ferreira.

Desde que começou, há seis edições, a “Machado de Assis” já publicou nomes estabelecidos da literatura brasileira, como Fernando Morais e Eucanaã Ferraz, mas também lançou no exterior gente pouco conhecida por aqui. “O processo de tradução e edição de uma obra costuma ser longo. O português, além do mais, é uma língua que quase ninguém fala. O que fazemos, então, é facilitar o caminho desses autores brasileiros ao mercado exterior. Já aconteceu de uma editora romena nos procurar. É importante, também, que haja uma continuidade da revista. Que os editores aguardem por ela. Eles precisam saber que a publicação vai sair”, diz o idealizador e um dos editores da “Machado de Assis”, Felipe Lindoso.

Brasil na Amazon. Se, para nós, o mercado literário tem crescido em termos de produção – há uma fértil nova geração de escritores publicando, inclusive por grandes editoras –, os escritores podem encontrar certa dificuldade em relação à formação de seu público. “Raramente os autores têm um sucesso rápido e permanente. É preciso um tempo de construção de leitores cativos”, afirma Lindoso.

A revista, então, funciona no sentido de ajudar a preencher essa lacuna. Foi ela a porta de entrada para os escritores Ivana Arruda Leite, Cristovão Tezza, Luiz Ruffato e outros sete mais para o selo Story Front, da Amazon. A gigante virtual norte-americana anda vendendo traduções dos brasileiros para o inglês em seu site. O primeiro contato com esses nomes da literatura nacional feito pela gerente editorial da AmazonCrossing (divisão de tradução literária), Gabriella Page-Fort, foi através da “Machado de Assis”. “É um processo demorado, mas agora a Amazon já sabe, em breve outras saberão”, acredita Lindoso. Para obter mais informações sobre as inscrições, acesse www.machadodeassismagazine.bn.br

Os textos devem ter até 15 mil caracteres e devem ser enviados (com as respectivas traduções) para o e-mail editor.revistamachado@gmail.com. Dúvidas e esclarecimentos devem ser direcionados ao mesmo endereço.

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