Quitando uma dívida antiga

Foo Fighters chega a Belo Horizonte nesta quarta-feira, 15 anos depois de cancelarem show no Mineirinho

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Beto Landoni
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Os fãs de Belo Horizonte têm uma mágoa cabocla com o Foo Fighters. Nos idos de 2000, a banda liderada por Dave Grohl tinha um show marcado no Mineirinho e cancelou a vinda ao Brasil dias antes da apresentação. Na época, a justificativa foi a morte do pai de um dos integrantes do grupo, mas as lendas urbanas não demoraram a se acumular.

O motivo real seria a gravação de um clipe; um show no aniversário do apresentador David Letterman; o fato de que Grohl não concordou que a extinta Telemig, patrocinadora do evento, distribuísse ingressos apenas para clientes; até mesmo que a produtora nunca chegou de fato a fechar o contrato com eles.

“Fui um dos primeiros a trocar o ingresso na Telemig. Mas depois que a banda cancelou, passei pra frente porque era só eles que eu queria ver”, lembra o jornalista Leonardo Abreu, sobre o Telemig Celular Festival, que reuniu outras bandas. Fã do grupo, ele tem a icônica logo dos dois FFs tatuada nas costas.

Quinze anos depois, as duas partes poderão finalmente resolver a questão nesta quarta-feira, às 21h, na Esplanada do Mineirão, da seguinte forma: Grohl vai, como de costume, esgoelar sua voz como se alguém estivesse puxando suas cuidadosamente descuidadas madeixas roqueiras. Os fãs vão gritar de volta, como se o mundo fosse acabar amanhã. Vai ser a sessão de conciliação mais épica da história do rock.

E se os shows que o Foo Fighters vem fazendo nos últimos dias são referência, “épico” vai ser a única definição possível para a apresentação desta quarta. A banda está de passagem pela América Latina para divulgar seu oitavo álbum, “Sonic Highways”, lançado em novembro de 2014, e chegou ao Brasil na última quarta com um show de 26 músicas e quase três horas em Porto Alegre.

“Um amigo meu de PoA foi e disse ter sido o show da vida dele”, conta a publicitária mineira Barbara Deister. Ela foi uma das fãs do grupo que participaram da petição no Facebook para a mudança do show do Megaspace para o Mineirão, e comemorou quando a Time 4 Fun cedeu à pressão.

No repertório, além de canções do último CD, o Foo Fighters inclui hits como “Best of You”, “All My Life”. “Generator” e “Monkey Wrench”, que prometem fazer muita gente chegar sem voz ao trabalho na quinta-feira. “Hoje, nós vamos tocar bastante. Nunca estivemos aqui, temos 20 anos para espremer em três horas”, gritou Grohl ao abrir a apresentação no Sul.

A situação é similar na capital mineira, onde os Foo Fighters terão abertura do Raimundos e do Kaiser Chiefs. Então, o público pode esperar um setlist parecido, iniciado com “Something from Nothing”, do último álbum, seguida dos hits “The Pretender” e “Learn to Fly”. “Como vai ser o primeiro show deles em BH, quem é fã está esperando ver os maiores sucessos. Já dei uma olhada nos setlists recentes e achei perfeito”, avalia Deister.

O show conta ainda com um pequeno set acústico – em que Grohl toca “Wheels”, “Skin and Bones” e “Times Like These” no corredor avançado do palco, chegando mais próximo dos fãs na pista comum – e uma série de covers que, em Porto Alegre, incluíram “Daft Punk Is Playing in My House”, do LCD Soundsystem, “Detroit Rock City”, do Kiss, “Miss You”, dos Stones, “Under Pressure” e “Tie Your Mother Down”, ambas do Queen.

A apresentação na capital gaúcha, porém, não foi perfeita. O público saiu do Fiergs, local do show, com duas grandes reclamações. A primeira era que o som estava muito baixo e oscilava até para quem estava com os ouvidos colados nas caixas de som, na pista Premium. Quando o baterista Taylor Hawkins, com uma potência vocal bem menor que Grohl, assumiu o microfone em “Tie Your Mother Down”, o público nem ouviu a voz dele.

Mesmo o vocalista soltou um “vocês cantam alto pra caralho!” em determinado momento da apresentação, reconhecendo que nem suas famosas cordas vocais guturais estavam superando o problema. Em entrevista ao “Zero Hora”, fãs consideraram o som “uma piada de mau gosto” e algo que “tirou a vontade da galera, que parou de cantar para poder ouvir”. A questão pode ser ainda mais preocupante em BH, último show da turnê, para um cara como Grohl, que não é conhecido por poupar sua voz.

A segunda reclamação foram as estruturas montadas para abrigar equipamentos, que atrapalharam a visão de quem estava na pista comum. “Assisti ao Black Sabbath na Esplanada no ano passado e ela tem umas luminárias em uns postes muito altos que, para quem não estava bem perto, tampavam o meio do palco”, relata Abreu, prevendo problemas similares por aqui.

Nada, porém, deve estragar a experiência do jornalista. “Não deu para ir ao Rock in Rio, e minha esposa estava grávida no Lolla. Acho que vai ser bem completo”, confessa o fã, com uma expectativa de quem aguarda há 15 anos pelo encontro com os ídolos.

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