Segurança diz que promotor pedira informações sobre armas

De acordo com segurança, Nisman queria manter uma pistola no carro para as ocasiões em que saísse com suas filhas

iG Minas Gerais | Folhapress |

Procurador argentino, Alberto Nisman, foi encontrado morto nesta segunda-feira (19) dentro do seu apartamento, em Buenos Aires
LA NACION / Fabián Marelli
Procurador argentino, Alberto Nisman, foi encontrado morto nesta segunda-feira (19) dentro do seu apartamento, em Buenos Aires

O promotor Alberto Nisman, encontrado com um tiro na cabeça em 18 de janeiro - quatro dias depois de ter denunciado a presidente da Argentina, Cristina Kirchner -, havia pedido uma arma emprestada a um dos policiais responsáveis de sua equipe de segurança, segundo informou o jornal argentino "La Nación" neste domingo (25).

A arma da qual saiu o disparo pertence a Diego Lagomarsino, um técnico de informática que trabalhava com o promotor morto. Segundo seu testemunho, Lagomarsino entregou a arma a Nisman no sábado (17) à tarde. Mas, antes de receber a pistola do colega, Nisman havia tentado conseguir uma com Rubén Benítez, um dos policiais que faziam segurança do promotor. Benítez prestou depoimento e revelou, segundo o "La nación", que no sábado (17) de manhã ele foi chamado por Nisman em seu apartamento, algo que não era usual. O promotor teria pedido informações para comprar uma arma, como nomes de lojas e preços. Segundo o policial, Nisman queria manter uma pistola no carro para as ocasiões em que saísse com suas filhas. Benítez teria respondido que a segurança do promotor e de sua família eram responsabilidade dos policiais. O técnico em informática Lagomarsino relata ter recebido um telefonema de Nisman nessa mesma manhã. O seu chefe ligou e pediu a pistola emprestada por uma semana, pois depois ele iria comprar uma. Lagomarsino levou a arma a Nisman no sábado à tarde. Até agora, a investigação o aponta como a última pessoa a ver o promotor com vida. A morte aconteceu ao redor do meio-dia do domingo passado, dia 18. AMIA Nisman era o encarregado de investigar um atentado terrorista que aconteceu em 1994, em Buenos Aires. Uma bomba colocada em um carro em frente à sede da Amia (Associação Mutual Israelita Argentina) matou 85 pessoas. Para o promotor, foi uma operação planejada por iranianos. Em janeiro de 2013, a Argentina e o Irã assinaram um acordo de entendimento sobre o caso, que implicaria a instituição de uma comissão binacional para investigar o atentado. Na denúncia do promotor, essa era a parte oficial do acordo, mas, na prática, ele implicaria a impunidade dos responsáveis. No dia 14 de janeiro, ele acusou formalmente Cristina e outros membros do governo de encobrir os suspeitos. Foi achado morto com um tiro na cabeça quatro dias depois.

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