Volume de água tem de dobrar

Para país evitar racionamento, nível precisa ir dos atuais 17,28% para 35% até abril

iG Minas Gerais |

Mesmo em tempo de economia de água, caminhão-pipa foi usado
FERNANDA CARVALHO
Mesmo em tempo de economia de água, caminhão-pipa foi usado

São Paulo. O volume de água nos reservatórios do sistema Sudeste/Centro-Oeste terá de dobrar até abril para livrar o Brasil de um novo racionamento de energia elétrica, se for levado em conta o cálculo do ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga. Hoje, as represas estão em 17,28% da capacidade e precisam chegar a pelo menos 35% para aguentar a demanda entre maio e novembro (quando o volume de chuvas é menor) e não cair abaixo do limite de 10% estabelecido na última quinta-feira por Braga para a adoção de racionamento.

No período seco, o nível dos reservatórios costuma cair, em média, 31 pontos percentuais, segundo levantamento feito com base em dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) entre 2010 e 2014. Mas, como o desempenho da economia será fraco neste ano, a expectativa é de que o comportamento das represas siga o ritmo dos dois últimos anos, quando o volume de água armazenada recuou em torno de 22 pontos.

Portanto, se as chuvas dobrarem o nível atual dos lagos, as hidrelétricas terminarão o período seco um pouco acima do limite de 10%.

O problema, porém, é que as previsões climatológicas não apontam para chuvas acima da média. Segundo o meteorologista da Climatempo, Alexandre Nascimento, devem ficar entre 70% e 80% do volume normal previsto para fevereiro. “Teremos chuvas nos próximos dez dias, mas serão pancadas localizadas, muito ruins para o enchimento de reservatórios”.

Segundo Nascimento, a situação é preocupante, já que o ponto de partida das represas está muito baixo – o que exigiria muita chuva. Além disso, o calor intenso deste verão tem provocado recordes de consumo e deteriorado o volume das represas num momento em que elas deveriam acumular água.

Em 20 dias, o nível caiu 2,01 pontos porcentuais. Algumas hidrelétricas, como Nova Ponte, Itumbiara e Furnas, estão com o armazenamento pouco acima de 10%. Com menos água no reservatório, a potência das turbinas cai e a capacidade de produção diminui, deixando o país vulnerável a apagões, como o que ocorreu no dia 19 de janeiro.

Força-tarefa

Preparativos. Nesta semana, o governador Fernando Pimentel vai apresentar a Dilma Rousseff um projeto pedindo recursos para obras emergenciais em Minas. Ontem, ele se reuniu ontem com a direção da Copasa.

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