Lucas Silva: de preterido por Celso Roth a companheiro de CR7

Em campo contra o Atlético, em 2012, jogador não conseguiu impedir golaço do Ronaldinho e só voltou a ter chances com Marcelo Oliveira

iG Minas Gerais | Josias Pereira |

Luquetes tietam
Arquivo pessoal
Luquetes tietam "príncipe" na Toca da Raposa

Nesta sexta-feira, o Cruzeiro concluiu a transferência de Lucas Silva para o Real Madrid. Aos 21 anos, o volante realiza o sonho que qualquer criança que chuta uma bola pelas ruas, vielas, campinhos, sejam eles de terra, de grama ou de cimento batido pelo país almeja - jogar em um dos maiores clubes do futebol europeu, e ser companheiro de ídolos como Cristiano Ronaldo, Gareth Bale, James Rodríguez e tantos outros craques.

Passagem destacada na base

Tudo começou em 2007, quando o garoto de Bom Jesus de Goiás deixou a fazenda do pai, o senhor Miguel Vieira, e os cuidados da mãe Ana Maria, para rumar à capital mineira em busca de seu destino. Nas categorias de base do Cruzeiro, logo se transformou em um dos líderes da equipe, e desde muito novo demonstrava as características de um jogador que tinha tudo para alcançar o estrelato.

"Lucas Silva é um desses garotos que de maneira especial convivemos muitos anos, e percebemos desde sempre que, em primeiro lugar, se tratava de um adolescente de muito caráter e boa formação familiar, algo fundamental na caminhada do futebol", recorda Alexandre Grasselli, treinador de Lucas Silva nas categorias de base do Cruzeiro de 2007 a 2010.

"Pude observá-lo por  aproximadamente quatro anos, dois anos no Juvenil e dois anos no Júnior, talvez tenha vivido os momentos mais importantes de sua formação, momentos de dúvidas e incerteza para qualquer jogador naquela idade, porém já percebíamos clareza naquilo que ele queria para sua vida, ser jogador de futebol", conta.

Logo aos 16 anos, Lucas começou a figurar entre os titulares da equipe juvenil, mas sua técnica o fez subir rapidamente para os juniores. Em 2010, ele se sagrava Campeão Brasileiro Sub-20.

"Na final contra o Palmeiras, nas cobranças de pênaltis, Lucas teve personalidade e deixou sua marca. Já naquela altura começava a escrever sua história de conquistas no futebol com o primeiro título brasileiro", diz Grasseli.

Carinho dos funcionários do Cruzeiro

Elogiado não apenas por seus comandantes, Lucas Silva também sempre teve o apreço dos funcionários do Cruzeiro. "Ele foi uma criança que nunca deu trabalho para os supervisores das categorias que ele passou no futebol de base, para treinadores ou funcionários do CT. Sempre muito responsável, educado, dedicado e trabalhador", relembra Rodrigo Genta, ex-funcionário do clube celeste, e hoje produtor da TV Bandeirantes.

"No período que ele esteve no Juvenil, o Alexandre Grasseli ajudou muito Lucas Silva a corrigir falhas na marcação, cobrava dele muito, ensinava posicionamento, forma de antecipar uma jogada e na medida que o atleta ia aprimorando a forma de marcar, mais completo ele ficava", relata Genta.

A difícil transição para o profissional

Com o título brasileiro Sub-20, Lucas Silva acabou chamando a atenção do time profissional, mas sua transição não foi imediata. Em 2012, ele foi emprestado ao Nacional de Nova Serrana para a disputa do Campeonato Mineiro. Ele só jogou uma partida e foi justamente contra o Atlético.

Mas, após convocações à seleção brasileira Sub-20 pelo técnico Ney Franco, o jogador foi integrado ao elenco profissional do Cruzeiro, à época comandado por Vágner Mancini. Mas sua primeira oportunidade na equipe só foi acontecer sob o comando de Celso Roth, no dia 18 de julho de 2012, uma vitória sobre a Portuguesa por 2 a 0, pelo Campeonato Brasileiro.

"Queimado" por Roth

Após a estreia, Lucas emendou uma sequência de quatro partidas como titular, duelos com Bahia, Fluminense, Coritiba e Atlético. O clássico mineiro terminou empatado em 2 a 2, mas Lucas Silva acabou marcado por não ter conseguido dar combate em Ronaldinho, que marcou um verdadeiro golaço no duelo. Depois daquele jogo, ele acabou preterido pelo técnico Celso Roth, e não atuou mais como titular em uma partida sequer.

"É natural o Lucas perder espaço. Quando damos oportunidade para um menino, ele vai bem na primeira, na segunda e depois vai caindo (de rendimento). Eu gosto do Lucas, mas temos jogadores da mesma função com experiência e qualidade", declarou o treinador à época.

O topo com Marcelo Oliveira

Mas a história de Lucas Silva mudou com a chegada de Marcelo Oliveira, em 2013. O treinador foi fundamental para alavancar a carreira do jogador, esquecido no banco de reservas. Rapidamente, ele ganhou o posto de titular e foi essencial na conquista do tricampeonato brasileiro. Da dupla de volantes da Raposa, Lucas sobreviveu à disputa por posições, e em 2014 manteve seu posto ao lado de Henrique, com Nilton como segunda opção. 

Titular mais jovem da Raposa foi convocado à seleção brasileira olímpica para torneios como o de Toulon, na França. Sua qualidade técnica despertou a atenção das equipes europeias, até que se confirmou o interesse do Real Madrid em sua aquisição. Melhor volante do último Brasileiro, bicampeão nacional, titular absoluto e campeão mineiro, o jogador acertou sua transferência para a equipe merengue no fim desta semana, e deixa o Cruzeiro após 93 jogos disputados, e quatro gols marcados.

"Ele é um jogador técnico, com uma boa visão de jogo, capaz de fazer passes precisos de 30, 40 metros, e ainda tem um chute potente. Ele é um jogador jovem, com um potencial muito grande a ser explorado. Creio que o Lucas ainda vai precisar de um tempo para se adaptar ao novo esquema, mas fico feliz por ver seu sonho se tornar realidade. O Ancelotti tem uma grande joia à sua disposição", exalta o técnico Marcelo Oliveira.

E o carinho entre os dois é real, tanto que Lucas tratou de agradecer o comandante por todo o apoio e confiança nas duas últimas temporadas. "Desde a sua chegada, ele sempre se preocupou muito comigo, com a minha evolução e com a minha qualidade. Ele sabia que eu poderia me transformar em um grande jogador, com potencial, como aconteceu aqui no Cruzeiro. Muito obrigado por tudo, Marcelo”, disse o jogador, em entrevista ao site oficial do clube celeste.

Fãs prometem acompanhar Lucas Silva para sempre

O estilo bom moço, até muitas vezes comparado a Kaká, fez com que Lucas Silva acumulasse várias fãs. Apelidado de "príncipe", o jogador se acostumou a histeria das garotas com sua presença, mesmo sendo um jogador bastante reservado. Durante sua passagem pelo Cruzeiro não faltaram pedidos de casamentos nos estádios e nas redes sociais. O galã agora parte para a Espanha, mas as suas fãs prometem acompanhá-lo no Real Madrid. Onde quer que ele esteja, a admiração continuará sempre a mesma.

"A saudade vai ser muito grande, mas eu vou aguentar. Eu particularmente vou continuar acompanhando ele de longe, o fã clube vai continuar. Ele sempre foi muito atencioso e carinhoso com a gente. E quando ele voltar no Brasil, a gente vai ir atrás dele de qualquer jeito", diz Isabela Lourenço, responsável pelo portal Lucas Silva.

"O Lucas sempre teve o grande sonho de jogar na Europa. Ser chamado pra jogar no Real Madrid, um dos melhores times do mundo. Eu falo por mim e pelas meninas quando digo que vamos acompanhá-lo. Vamos ver todos os jogos, vamos torcer e gritar a cada passe, chute e gol! Ele sabe do orgulho imenso que temos dele e podem ter certeza que a cada vinda dele pro Brasil nos estaremos la, fazendo de tudo para vê-lo", completa Bia Marques, outra assídua integrante de um dos fãs clube do ex-volante cruzeirense. 

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