Software ajuda a detectar dor nos pequenos

Após sucesso com crianças saudáveis, começam testes com os bebês internados

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |


Renata e o marido tentam entender a linguagem do filho Pedro
Lincon Zarbietti / O Tempo
Renata e o marido tentam entender a linguagem do filho Pedro

Saber o motivo do choro do bebê é um desafio cotidiano de quem convive com recém-nascidos. A tarefa é ainda mais difícil para cuidadores de crianças que nascem com problemas de saúde e precisam ficar internadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) neonatais.

Para auxiliar os profissionais que cuidam desses pequenos, pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) estão desenvolvendo um software de reconhecimento facial que identifica expressões de dor em bebês.

“A mímica facial de dor dos recém-nascidos é uma das coisas mais claras que temos na literatura. Todos eles fazem um grupo de ações muito parecidas: franzem a testa, apertam os olhos, aprofundam o sulco que vai do nariz até a boca. Essa escala de movimentos foi descrita já em 1987”, explica a professora de pediatria neonatal da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, Ruth Guinsburg. Ela coordena a pesquisa que está desenvolvendo o programa.

O software foi testado – e aprovado – em bebês saudáveis. O próximo passo é ver se funciona com bebês internados e se será funcional. “Acreditamos que ainda levará pelo menos mais três anos para averiguarmos isso”, diz a pesquisadora.

Em casa. No dia a dia das crianças saudáveis, os pais vão, aos poucos, identificando as diferenças nas expressões faciais e nos choros de seus bebês. A socióloga Renata Santos, 30, já consegue reconhecer quando seu filho, Pedro, 2 meses, está com alguma dor, ou se o chorinho é mais manhoso.

“No início era difícil, mas é um período de adaptação. Quanto mais tempo você passa com o bebê, você vai se apropriando da maternidade e a relação se aproxima”, conta. Para ela, a presença do marido, Patrick, também é muito importante. “Dá mais segurança”, diz.

A terapeuta ocupacional Flávia Gomes de Carvalho Cerqueira, 33, está começando a se entender com sua filha, Ana, de 27 dias. “Algumas coisas eu ainda fico na dúvida, mas estou começando a perceber melhor. Agora descobri que a dor de gases é diferente da cólica e aprendi a identificar os sinais de cada uma. É um processo, e eu tento não me desesperar com o choro, mas lidar com ele”, conta.

Dicas. A enfermeira e massoterapeuta Marjorie Delucca Linhares faz massagens em bebês e ensina alguns truques para reconhecer os tipos de choro. “A criança dá sinais do que está sentindo. Quando está com cólica, é um choro mais gritado. Muitas vezes, a criança encolhe a perninha em direção à barriga”, explica. Nessas horas, massagem nos pezinhos ajuda a aliviar.

Também são muito comuns as dores de ouvido. Nesse caso, Marjorie atenta para o fato de o bebê ficar com a mãozinha levantada, ou tentar levar a mão ao ouvido. Quando o problema for esse, o mais indicado é levá-lo ao pediatra.

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