‘Ambiente determina atitudes’

iG Minas Gerais |

Potencialmente revolucionário, o uso das tecnologias de neuroimagem para a previsão de comportamentos futuros não será tão cedo um consenso entre especialistas da área médica.

“Não concordo com a conclusão de que a ciência consegue prever comportamento. Isso é uma interpretação tendenciosa da realidade”, dispara o neurocientista Renato Malcher, professor da Universidade de Brasília (UnB).

Ele defende que o comportamento não é dominado pela biologia. Para ele, o ambiente em que a pessoa está inserida é o fator determinante. “A coisa que mais afeta o comportamento é o emocional. Pesquisas apontam que os dependentes de drogas são pessoas que passaram por dificuldades econômicas ou foram abusadas, por exemplo. O fator biológico vai ser menos importante do que a história dessa pessoa”, argumenta.

Já a pediatra Ruth Guinsburg, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), acredita que, mesmo que a ciência possa fazer essas previsões, isso não deve ser um procedimento de rotina.

“Não há bola de cristal. Essas ferramentas são úteis para crianças que têm riscos determinados – prematuras, com malformações, dificuldade no desenvolvimento. Passar todo mundo por uma ressonância para dizer se a criança vai ser isso ou aquilo é um absurdo”, conclui. (RS)

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