Entre o primor do objeto e a circulação

iG Minas Gerais |

Vanderley M. Mendonça, editor responsável pelo selo Demônio Negro, acredita que, em tempo de internet e das mídias sociais, o objetivo de se fazer um livro está mudando. Por isso, ele defende o lugar desses como objeto de arte. “Se for só pra ler, melhor seria não imprimi-lo”, opina.

Envolvido atualmente na edição de toda a poesia do trovador medieval Arnaut Daniel, com traduções de Augusto de Campos, o seu novo projeto será impresso em pergaminho e terá iluminuras feitas à mão. A edição, para ele, exemplifica como a sobrevivência do segmento, diante também da emergência dos e-books, está vinculada a uma feitura mais artesanal. “Ficarão os trabalhos que interessam como objeto de arte, como era o livro no princípio da imprensa ou antes dela. Havia o trabalho de artesania agregado ao conteúdo”, diz Vanderley M. Mendonça.

Amir Brito Cadôr, pesquisador, autor de livros de artista e professor da Escola de Belas Artes da UFMG, observa que, enquanto existe esse movimento, há uma outra direção também percebida no ofício daqueles interessados em procedimentos artesanais. Em vez de proporem criações com “requintes de luxo”, alguns optam pela simplicidade, visando ao alcance da obra e a um público além dos bibliófilos.

“Há a preocupação de se fazer um livro bonito, mas sem necessariamente seguir determinadas escolhas, como já fizeram poetas que produziam livros com gravuras exclusivas, pois isso deixa o produto muito mais caro”, diz.

Guilherme Falcão, designer e editor de zines, ressalta, inclusive, que esse tipo de publicação está sendo apropriado por artistas como uma solução mais acessível. “Eles estão começando a descobrir formas mais baratas, e os livros de artista têm conversado bastante com os zines. Isso coloca em atrito duas propostas. Enquanto uma está ligada à ideia de pulverização e distribuição, outra, como os livros de artista, está mais ligada ao colecionismo”. (CAS)

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