Psiquiatria S.A?

iG Minas Gerais |

Entre a cruz e a caldeirinha que a internet nos condenou perpetuamente, sujeitando-nos a torturantes contradições, controvérsias, ausência absoluta da linha divisória entre o que é verdadeiro e falso, o real e o Photoshop, alguns campos minados me atemorizam mais que a média. Seja pelo risco de mutilar reputações, jogar pelos ares o bom censo e a dignidade, ou simplesmente por nos ilhar em trincheiras de ignorância quase irreversíveis, enterrando uma geração de jovens, adultos e idosos sábios. Chega a me lembrar filmes da Primeira Grande Guerra, onde o mundo era perigoso, explosivo, com conflitos para todo lado e esse fim dos tempos nunca chegava. Essa introdução esquisita é para falar do Dr. Google, mais especificamente na sua especialidade psiquiátrica, auxiliado pelo psicólogo YouTube. Caso se interessem e tenham tempo (dimensão estranhamente transformada em vivências psicológicas cronológicas pelo homem, que adora ter um passado para lamentar, um presente para perder e um futuro para sofrer antecipadamente), acessem documentários do tipo “O marketing da loucura”, “Psiquiatria: um erro de morte”, “A verdade sobre a psiquiatria”, entre outros. Em especial vale acompanhar alguma palestra do prof. Thomaz Szasz ou ler seu livro “A fabricação da loucura”. É de arrepiar. Como psiquiatra, rebelde e polêmico da velha guarda, confesso que meu queixo já não cai com a baixíssima resolutividade e cura relatadas por estudos e documentários sobre alterações de transtornos mentais. Minha fé só cresce quando miro os velhos, eficientes e clássicos remedinhos (os de última geração têm sido uma decepção e caríssimos), uma ótima relação médico -paciente, um sono reparador, atividades aeróbicas, desplugar após as obrigações eletrônicas, resgatar os prazeres naturais, ambientes abertos e dicas de ecologia humana. Sei que a plasticidade cerebral é uma área promissora e mudar conceitos é tão ou mais importante que um psicofármaco bem prescrito. Que estão inventando diagnósticos psiquiátrico aos montes (até TPM e criança bagunceira ) e querem medicalizar a falta de satisfação, de graça, de carinho, de conflitos entre pais e filhos, marido e mulher, da incapacidade de relaxamento de prazer do dia a dia. Que é fácil viciar em compras, bebida, sexo e principalmente em smartphones. Mas vício rapidamente passa e dá abstinência e voracidade e desejo pelo que não tem ou não pode. Prefiro a paz, o prazer que sacia e relaxa, e se vier com serenidade e paz é tão generoso que se transmuta em amor. Que cura tudo! Pra que psiquiatra ?! Mas aos que se beneficiam deles, não se descuidem, fé é mais que religião; é crer em algo ou alguém. Fevereiro volto para a psiquiatria, para resgatar a fé perdida na ciência que não entende a alquimia mente, cérebro, corpo e alma.

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