Pra ter carnaval o ano inteiro

Baixo Centro Cultural inaugura festa bimestral com shows de orquestras de fanfarra e oficinas carnavalescas na rua

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

ANDRE FOSSATI / O TEMPO
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Daqui a três semanas, Belo Horizonte deve viver o maior Carnaval de sua história, com uma estimativa de 1,5 milhão de pessoas nas ruas. Mas a onda de carnavalização dos últimos três anos – quando a cidade ganhou personalidade própria com blocos espontâneos – parece não ser o bastante para quem acompanha de perto a percussão nas ruas muito antes de a festa oficial das serpentinas começar. Por isso, o Baixo Centro Cultural inaugura, a partir de hoje, o festival FUNfarronices, que vai trazer durante todo o ano, em edições bimestrais, bandas carnavalescas e de fanfarra para shows e oficinas gratuitas.

O festival é organizado por Gigi Favacho, da Cuia Cultural, que esteve à frente dos Carnavais de Ouro Preto, Diamantina e São João Del-Rei, e da festa de encerramento da folia na capital, “Pra Tudo se Acabar na Quarta-Feira”. Ela explica que, além de integrar o roteiro carnavalesco, a FUNfarronices pretende se unir a outro movimentos de ocupação da cidade, visando o reforço cultural do espaço público.

“A ideia é participar do movimento do baixo centro da cidade, fazendo coro à ocupação do Espanca, Duelo de MCs, Praia da Estação, ensaios dos blocos e do próprio Baixo Centro Cultural. E, assim, também ter um Carnaval o ano inteiro, incentivando essa cultura que nasceu espontaneamente na cidade”, avalia Gigi.

Neste domingo, a Orquestra Contemporânea de Olinda inaugura o festival, no Baixo Centro Cultural, a partir das 16h, com oficinas de percussão na rua e de sopro (sax, trombone, trompete, tuba etc.) no Teatro Espanca. “Vai ser um lugar para quem quiser chegar e aprender do zero. Exceto a oficina de sopro, que vai requerer algum conhecimento, claro”, completa Gigi.

A base de repertório para o show do conjunto pernambucano será os dois álbuns da carreira, “Orquestra Contemporânea de Olinda” (2008) e “Pra Ficar” (2012). O maestro Ivan do Espírito Santo diz que a experiência também enriquece a orquestra. “Esse contato para a gente é bem parecido com o que acontece em Recife e Olinda, porque aprendemos de verdade é na rua, fazendo o Carnaval. Daí é que saem nossas inspirações para arranjos e tudo o mais”, pontua o músico.

NA RUA. Como um evento espontâneo de rua, a FUNfarronices poderá atrair um público ainda não estimado, a exemplo do que aconteceu com os ensaios de blocos carnavalescos na capital.

Depois de uma experiência com público muito maior do que o esperado – e sem estrutura para recebê-lo – na praça da Estação, o bloco Então, Brilha! decidiu cancelar os chamados ensaios abertos e transferiu seu segundo evento para o Largo da Saideira, no bairro União, cobrando uma entrada de R$ 5 (membros da bateria) e R$ 10 (público em geral).

Com os mesmos entraves, o bloco da Juventude Bronzeada sofreu com a degradação da praça Floriano Peixoto após seu primeiro ensaio, que atraiu quase 2.000 pessoas, no domingo passado. Agora, a trupe analisa outras alternativas para não ter mais problemas como banheiros químicos em número insuficiente e o lixo nas ruas. O músico Thales Silva, que encabeça o bloco e a banda A Fase Rosa, diz que deve haver uma responsabilidade da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) com os ensaios dos blocos, e não apenas com os desfiles oficiais. “Eu acho que é uma questão da prefeitura. Enxergar o que o ensaio do bloco representa para a cidade, se é largar para lá ou dar um suporte e cooperar”, opina.

Segundo a Belotur, os recursos do orçamento da Carnaval da PBH estão previstos apenas para desfiles oficiais da folia e não para o ensaios – apesar disso, o órgão municipal não revelou até agora o montante de investimentos para a festa deste ano, apesar de prometer que o valor total será divulgado nesta semana, em coletiva de imprensa. Questionada se os blocos poderiam ter apoio financeiro para os ensaios do ano que vem, o órgão não respondeu à reportagem.

Mesmo diante desses dilemas inerentes à recém carnavalização da cidade, a organização do FUNfarronices foca nos shows, que ocorrerão no Baixo Centro Cultural, em uma área de 340 m², para um público de aproximadamente 150 pessoas. “As oficinas de estreia vão acontecer na rua pela proximidade com o Carnaval, mas os shows serão sempre internos e não precisaremos de estrutura externa para o público. Vivemos uma realidade de ocupação diferente”, garante Gigi.

 

Próximas atrações

Antes mesmo da estreia do FUNfarronices, o evento já tem mais duas atrações agendadas para breve. A edição de março promoverá uma noite sergipana, com a Culto Orquestra e a banda The Baggios. Em maio, o convidado será o bloco Parado em Você, que faz uma homenagem a Caetano Veloso, em releituras carnavalescas.

Agenda
  • O QUE. FUNfarronices convida Orquestra Contemporânea de Olinda
  • ONDE. Baixo Centro Cultural (rua Aarão Reis, 554, centro)
  • QUANDO. Hoje, a partir das 16h
  • QUANTO. R$ 20 (1º lote) e R$ 30 (2º lote)
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