Brasil com chances no páreo no festival Sundance

Diretor da premiação acredita em prêmio para “Que Horas Ela Volta?”, que, em competição, será exibido neste domingo (25)

iG Minas Gerais |

Exibição.
 
Regina Casé protagoniza
 “Que Horas Ela Volta?”, que será exibido hoje no festival Sundance
Exibição. Regina Casé protagoniza “Que Horas Ela Volta?”, que será exibido hoje no festival Sundance

São Paulo. Responsável pela seleção dos filmes que passam por Sundance, principal festival de cinema independente do mundo, o norte-americano Trevor Groth diz que o brasileiro “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert, único do país em competição neste ano, tem potencial para ser premiado. “Acho que o brasileiro será um dos destaques do festival”, disse o diretor de programação. “É o tipo de filme ao qual acredito que o júri responderá bem. Ele tem chances reais de ganhar um prêmio”.

A produção, dirigida pela paulistana Muylaert (“É Proibido Fumar”), narra o drama de Val (Regina Casé), que deixa a filha no interior de Pernambuco para trabalhar como babá em São Paulo. A ida da garota para a capital paulista, após 13 anos, é que vai gerar o conflito que movimenta a trama. A estreia mundial será hoje, no festival, no Estado de Utah.

“É um filme caloroso, inteligente e bonito e, ao mesmo tempo, desafiador e provocativo”, elogiou Groth. “Ele lança um olhar novo sobre a temática familiar, que é clássica. É filmado com tanta vida que fui arrebatado por ele”, diz o diretor. Segundo Groth, filmes como o brasileiro são os que estão fazendo a competição internacional de Sundance ganhar corpo nos últimos anos. “A nossa competição internacional ainda está tentando se estabelecer”, avaliou. “Há outros festivais, como os de Cannes e Berlim, que existem há muitas décadas. Nós ainda somos jovens (o festival faz 30 anos neste 2015), mas esse é o tipo de filme que creio que vai nos colocar no mapa”, acrescentou.

Para Groth, a competição entre os filmes norte-americanos tende a receber mais atenção em Sundance por causa dos sucessos independentes que surgiram por lá. Em 2014, estrearam no festival, entre outros, “Boyhood – Da Infância à Juventude” e “Whiplash – Em Busca da Perfeição”, agora indicados a vários Oscars. “Gosto de pensar que fomos uma boa plataforma de lançamento para que esses filmes chegassem onde chegaram”, afirmou o diretor.

Segundo Groth, a pergunta que mais ouve todo ano é: “qual seu preferido entre os selecionados?”. “Quase nunca respondo, mas no ano passado disse que era ‘Boyhood’, porque é um filme único. É a coroação de tudo o que o cinema independente alcançou”. Para este ano, a aposta é “Mistress America”, de Noah Baumbach. Na fita, o diretor volta a trabalhar com Greta Gerwig, com quem havia feito “Frances Ha” (2012).

“Eles têm uma química incrível”, comentou Groth. “Esse é um que eu estou bem animado de poder mostrar neste ano”. O diretor de programação disse ainda ver como positiva a invasão de astros de Hollywood nos filmes independentes – Jennifer Lopez e Ryan Reynolds, por exemplo, estão em longas do festival neste ano. Contudo, gosta mesmo é de ver surgir na tela um novo talento: “Parte da graça é descobrir os nomes que vamos ver por aí por vários e vários anos”.

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