Jovem, mas bem das antigas

Aos 34 anos, ator iniciou sua trajetória no meio em 1991, em “O Mundo da Lua”, e já é um veterano da TV

iG Minas Gerais | luana borges |

Currículo. Caio Blat acumula cerca de 30 projetos desde quando começou a trabalhar na televisão, no início dos anos 90
Isabel Almeida/czn
Currículo. Caio Blat acumula cerca de 30 projetos desde quando começou a trabalhar na televisão, no início dos anos 90

Aos 34 anos, Caio Blat já é um veterano. Na TV desde 1991, quando estreou em “O Mundo da Lua”, o ator acumula cerca de 30 projetos, entre novelas, minisséries, séries e telefilmes. E justamente por dominar os mecanismos do veículo, o intérprete de José Pedro, em “Império”, mantém uma postura serena em relação à profissão. Bem articulado, ele preza pelas boas relações com os colegas de elenco e ressalta o fato de, na novela de Aguinaldo Silva, trabalhar com um núcleo composto por atores com os quais, em sua maioria, ainda não havia contracenado. “É difícil isso acontecer porque conheço todo mundo. E foi um encanto conhecer Lília Cabral, Andréia Horta e Alexandre Nero. Nero costuma falar que eu tenho idade para fazer o pai dele, que ele cresceu me vendo na televisão e agora faz o meu pai”, brinca, citando o ator que interpreta José Alfredo, pai de seu personagem na história. Caio experimentou o gosto do sucesso cedo. Quando tinha 12 anos, atuou em “Éramos Seis”, no SBT, e era comum ser abordado por pessoas pedindo autógrafo. Mas, em seguida, sentiu na pele a dificuldade que é fazer a transição da infância e adolescência para a fase adulta quando se trabalha como ator. “É muito comum a gente ver crianças e adolescentes que são ídolos e que depois não continuam na carreira. Então, eu tinha dúvida se era um hobby de infância ou se viria a ser uma profissão mesmo”. Você costuma viver tipos fortes e com características marcantes na TV. O que você ressalta em José Pedro, de “Império”? Acho que todo trabalho é especial e esse foi muito. É uma novela que tem uma aceitação grande do público, a gente sente uma vibração muito forte nas ruas, tem muita torcida. E o personagem é maravilhoso porque tem um caráter dúbio. Com essa competição pela herança, ele é capaz de trair os irmãos. José Pedro não é um vilão clássico. Em que sentido? Ele é, na verdade, um personagem rancoroso, fraco, inseguro, e isso faz dele uma pessoa muito perigosa. Sem ser um vilão clássico, ele se tornou uma figura, às vezes, patética, por causa dessa dependência que tem das mulheres, ele faz qualquer coisa que as mulheres mandam. E, ao mesmo tempo, é perigosíssimo porque, dentro dessa insegurança dele, desse sentimento, é capaz de fazer qualquer coisa. Então, para mim, foi um personagem muito rico e difícil de fazer porque é perigoso e, ao mesmo tempo, fraco. Toda vez que quer mostrar seu valor, faz algo errado porque é fraco, carente e dependente. Acaba soando mais patético do que como um vilão poderoso. Depois de quase 25 anos de carreira na TV, o que faz você aceitar participar de um projeto? Atualmente, as pessoas que estão envolvidas no projeto. Mais importante do que o resultado são os nove meses de convivência, que eu acho que precisam ser muito prazerosos. Hoje em dia, o que mais levo em consideração é saber se é um grupo de diretores que gosto, que acredito, com os quais eu me sinta à vontade, onde exista uma troca, onde eles estejam dispostos a ouvir também as nossas ideias sobre o personagem e deixem a gente bastante livre para trabalhar, além do elenco envolvido. Isso é o que mais me interessa porque, afinal de contas, a novela fica uma hora no ar, mas nós ficamos nove horas por dia juntos. Antes, suas prioridades eram outras? Acho que, durante muitos anos, eu queria ter personagens bons, queria estar em histórias boas. Mas, atualmente, já fiz de tudo na carreira. Não tenho mais tanta ambição assim em relação ao personagem. Acho que você pode fazer um bom trabalho em qualquer papel, em qualquer história.

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