Chuva dita o ritmo dos blocos

Preparativos dos grupos Baianas Ozadas e Tchanzinho Zona Norte reuniram centenas de pessoas

iG Minas Gerais | Luciene Câmara |


De turbante, ao estilo afro, Maria Letícia curtiu o ensaio do Baianas Ozadas, no Largo da Saideira, na região Nordeste da capital
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
De turbante, ao estilo afro, Maria Letícia curtiu o ensaio do Baianas Ozadas, no Largo da Saideira, na região Nordeste da capital

Cantar e dançar como se não houvesse amanhã. Só mesmo a proximidade do Carnaval para fazer as pessoas esquecerem as preocupações do trabalho ou da crise hídrica e cair no samba. Ao som de “Hoje sou feliz, feliz, e canto ...” e outros hits do samba e do axé, centenas de foliões acompanharam, neste sábado, ensaios de blocos em Belo Horizonte. A chuva que caiu à tarde não atrapalhou. Ao contrário, em tempos de seca, ditou o ritmo da alegria.

Os primeiros batuques começaram por volta das 11h, no Largo da Saideira, no bairro União, na região Nordeste da capital. O bloco Baianas Ozadas reuniu cerca de 300 instrumentistas para o ensaio e mostrou que todos estão sintonizados com os batuques, coordenados pelo animado regente Peu Cardoso.

Como o próprio nome sugere, a Bahia e “axé de raiz” dão o ritmo da festa. O tema deste ano é “Sou da Cor da Bahia”, em homenagem aos blocos afros.

Neste sábado, no terceiro ensaio, foram repassadas cerca de 20 músicas das que serão apresentadas na segunda-feira de Carnaval, em 16 de fevereiro, quando o Baianas Ozadas sairá às ruas, da praça da Liberdade até a praça da Estação, no centro da capital. Segundo uma das fundadoras e produtora do grupo, Renata Chamilet, o repertório completo tem 70 músicas. “Não vamos repetir nenhuma música. Serão seis horas de bateria tocando”, afirmou Renata.

Além da bateria, o bloco conta com coreografia. O grupo de dança Requebra fica responsável por sair à frente dos foliões guiando os passos. Os cerca de 500 participantes pareciam já ter decorado alguns ritmos e chamaram a atenção pela sincronia. “Aqui todo mundo se contagia e vira baiano”, disse a baiana Ivone Gomes, que mora há oito anos na capital mineira.

O abre-alas Domingos Medusa, 37, conhecido como Medusa Guerreiro de Jorge, também foi um dos destaques do ensaio. Vestido com uma saia branca e colares no pescoço, ele parecia “incorporar” os batuques. “A bateria manda o axé e eu recebo”, disse ele, que é belo-horizontino, mas está sempre em Salvador.

A estudante Maria Letícia Ticle, 26, se deixou levar pelo ritmo afro. “A gente dança solto, do jeito que se sente bem, é muito bom”.

À tarde, integrantes do Baianas Ozadas ainda tiveram ânimo para apoiar o bloco Tchanzinho Zona Norte, que fez ensaio aberto na praça Manoel dos Reis Filho, no bairro Jaraguá, na região da Pampulha. Mesmo debaixo de chuva, cerca de mil pessoas se reuniram. Ao fim do ensaio, os próprios participantes da folia recolheram o lixo das ruas.

Adesão

Cobrança. O Baianas Ozadas atraiu cerca de 500 pessoas, neste sábado. Segundo os organizadores, o valor de R$ 10 vem sendo cobrado em todos os ensaios e o dinheiro é revertido para a folia.

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