O ABC de Fernando Pacheco

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“Voltaria pra qualquer lugar onde eu pudesse ser útil! Não existe o voltar
Arquivo pessoal
“Voltaria pra qualquer lugar onde eu pudesse ser útil! Não existe o voltar

Como dói, como dói cortar, decepar, decapitar esta entrevista, por vulgar falta de espaço. Degolar com a ira do Irã o abecedário do pintor Fernando Pacheco. Estrangular, sem piedade, cores, nomes, sua mulher Nina, viagens, pensamentos e voos. Não percam a íntegra desta entrevista na versão online, please e merci!

A como Arte. Algo muito especial e raro! Enquanto a internet noticia o fato na hora, a arte premune o que ainda irá acontecer. C como China. Invadir o pomar vizinho pra se deliciar com as frutas possivelmente mais doces. Fui convidado pelo vizinho distante a invadir com minha arte aquele quintalzão vermelho... E as frutas foram doces pra mim. China e Nina, pequenos e doces nomes de grandes coisas. G como Gente. O mundo não precisa de muita gente, mas de gentileza! I de Ícaro. “Voar”, título do meu painel no aeroporto de Confins. Adoro voar. No ano passado, na minha turnê de exposições na Oceania e na Ásia, eu e Nina voamos 130 horas. Adoro voar! K como Kit de viagem. Meu kit de viagem na ida é composto de ar da minha cidade e, na volta, de pequenas pedrinhas das cidades deles. L como Lugar aonde voltaria ou que gostaria de conhecer. Voltaria pra qualquer lugar onde eu pudesse ser útil! Não existe o voltar; na verdade, as voltas são novas idas. Gostaria de conhecer a Polônia, pois, em encarnação passada, fui perfumista polonês! N como Nina. Nando e Du, dois filhos maravilhosos. Nina é a mãe deles. Olha que mágica perfeita: eu precisei dela e ela de mim para realizarmos juntos esse milagre. Além disso, Nina é mulher linda, corajosa, lutadora, séria, honesta, trabalha muito comigo. E eu a amo! Precisa mais? P como Piano. 3,1416 = Pi, 365 dias = Ano. 3,1416 + 365 dias = Piano. Ray Charles ao piano = uma das imagens plásticas mais belas que já vi e que ele próprio jamais viu. Nunca toquei piano, minha série “Pianista”, na pintura, vem do quadro “Os Jogadores de Carta”, de Paul Cézanne. Desenvolvo esse tema há quase 40 anos. T como Tela. A pintura não é aprisionável. Pinto em embalagens de pizza ou na melhor tela do mundo, como as que usei na Nova Zelândia: chassi da Austrália e linho preparado da Itália. U como Urubu. O urubu se alimenta de carnes mortas, cadáveres. Eu, como artista, utilizando o papel como suporte – veja meu livro “O Papel do Artista” –, reutilizo papéis de embalagens comerciais que seriam descartados, papéis mortos, papéis-cadáveres. Portanto, em relação ao papel do artista, sou o artista urubu. Urubu, ave que limpa o meio ambiente e não ataca animais vivos. V como Vermelho. Ver, verdade, ver-me-lhor. X como Questão. O X da questão tem que estar sempre associado ao S, que é a solução.

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