Um sentimento nacional

Exposição “A Arte da Lembrança – A Saudade na Fotografia Brasileira” entra em cartaz no Itaú Cultural de São Paulo

iG Minas Gerais | Daniel Toledo Especial para O Tempo |

Acervo. Imagem da série Expia Marajó, “Recordações a Carta, a Noiva, a Mensageira”, 2004-2014
Acervo. Imagem da série Expia Marajó, “Recordações a Carta, a Noiva, a Mensageira”, 2004-2014

Por muitos apontada como uma das maiores preciosidades da língua portuguesa, a palavra “saudade” serve como ponto de partida para a exposição fotográfica “A Arte da Lembrança – A Saudade na Fotografia Brasileira”, que entra em cartaz hoje no Itaú Cultural SP.

“Essa exposição é fruto de uma pesquisa que já vem de dez anos, desde que assumi a curadoria de fotografia da Pinacoteca de São Paulo. Ao contrário do que se pode pensar, não é uma exposição que trata como dor a lembrança ou a saudade. A mostra aborda vários tipos de perda, sempre considerando camadas concretas e poéticas de leitura”, comenta o curador Diógenes Moura, que reúne, na mostra, imagens produzidas entre 1930 e 2014.

Entre as várias saudades expressadas nas imagens escolhidas por Moura, a cidade de São Paulo, que completa amanhã 461 anos, surge como cenário em diversos trabalhos. “Mas ela aparece em meio a várias outras cidades do país, pois a saudade é uma questão pra nós, um sentimento que permeia o Brasil inteiro”, pondera.

“Pude viajar muito pelo país, visitar os acervos de instituições culturais de Belém, Recife, Fortaleza, Salvador e Rio de Janeiro. E o que se vê são cidades devastadas, uma situação muito séria que acaba contaminando alguns eixos da exposição”, completa Moura.

Enquanto alguns trabalhos remetem a cidades e paisagens que desmoronam ou nem existem mais, outras obras chamam a atenção para pessoas e objetos capazes de provocar reflexões sobre a passagem do tempo e as perdas. “Isso fica muito claro quando consideramos o núcleo da morte, que se volta tanto à deterioração dos edifícios coloniais do centro de Recife quanto a corpos de homicídios registrados em Belém. Ainda que haja dor, saudade e lembrança, não é uma exposição que te faz ofegar”, tranquiliza.

Para organizar uma seleção de 120 fotografias, o curador Diógenes Moura criou cinco eixos dentro da exposição, que ainda traz cenas urbanas e marítimas, além de pequenas seções dedicadas a fotógrafos lambe-lambe e antigos retratos de noivas. “São imagens que problematizam de modo muito sutil essa construção social do amor”, pontua.

Em cartaz até o dia 8 de março, a mostra tem chances de viajar a Belém e Recife. Belo Horizonte ainda não entrou na rota.

Agenda

O quê. “A Arte da Lembrança – A Saudade na Fotografia Brasileira” Quando. 3ª a 6ª, das 9h às 20h, sáb., dom. e feriados, das 11h às 20h. Até 08/3.

Onde. Itaú Cultural SP (av. Paulista, 149)

Quanto. Entrada franca.

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