Play it again, Sam play it, forever

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Humphrey Bogart e Ingrid Bergman como Rick Blaine e Ilsa
WARNER BROS./DIVULGAÇÃO
Humphrey Bogart e Ingrid Bergman como Rick Blaine e Ilsa

“Casablanca” foi reconhecido em 1942 por ser um dos raros filmes capazes de apreender o espírito de sua época enquanto ela ainda está em curso. Da utilização de imigrantes judeus como os alemães da história às referências reais à Segunda Guerra, a produção que o Clássicos Cinemark exibe neste sábado (24), domingo (25) e quarta (28) (confira roteiro na pág. 8) capta o desencanto, a idealização do passado e a descrença no futuro que permeava o período.

Mas o que tornou o longa imortal, com seus méritos e qualidades intactos e atemporais, é o fato de que ele entende e executa como nenhum outro o romance cinematográfico. A ideia de que as pessoas são um lugar, o amor é um tempo, e o filme é resultado desse encontro – e quanto mais bem delimitado ele for, mais intenso será. O poder do amor no cinema é inversamente proporcional à sua duração.

A história de Rick (Humphrey Bogart) e Ilsa (Ingrid Bergman) deixa isso claro como nenhuma outra. Os dois viveram um romance em Paris, antes da guerra, e voltam a se encontrar em Casablanca durante o conflito. Ele é o dono de um bar. Ela está casada. “De todas as espeluncas do mundo, ela tinha que entrar na minha”.

Os dois ainda se amam, mas o amor é Paris, uma banalidade, um empecilho que não cabe em tempos de dificuldade. E eles sempre terão Paris – só que como um tempo que ficou no passado.

O fato de que Bogart e Bergman achavam os diálogos banais diante do que acontecia no mundo acabou casando perfeitamente com a direção sóbria de Michael Curtiz. Não há muito da artificialidade do cinema clássico, e frases que são ditas corriqueiras, sem pompa, ganharam ressonância universal com o tempo – o amor pode pertencer ao passado, mas o filme não envelhece.

Porque, como canta “As Time Goes By” (música de 1931 que só não foi substituída no longa porque Ingrid Bergman cortou o cabelo após as filmagens e não pôde refilmar suas cenas), “luar e canções de amor nunca saem de moda / é sempre a velha história / uma batalha por amor e glória / um caso de vida e morte / o mundo sempre será receptivo aos amantes... as time goes by”.  

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