Consumo eficiente é suficiente para evitar racionamento, diz Borges

O presidente da Cemig também negou que serão adotadas novas cobranças para o consumidor que aumentar o seu consumo de energia

iG Minas Gerais | Ludmila Pizarro |

Mesmo com o longo período de estiagem e declarações do ministro de Minas e Energia Eduardo Braga confirmando o racionamento energético no Brasil caso os reservatórios cheguem a 10% da capacidade, o novo presidente da Cemig, Mauro Borges Lemos, não vê risco que isso aconteça no ano de 2015. "Com o sistema energético brasileiro conseguimos sobreviver a esse ano. Com consumo eficiente, não teremos racionamento", afirmou. 

Borges foi empossado nesta sexta-feira (23), em cerimônia na Cemig com a presença do governador do Estado, Fernando Pimentel e do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda.

O presidente da Cemig também negou que serão adotadas novas cobranças para o consumidor que aumentar o seu consumo de energia. "Não temos nenhum objetivo de penalização do consumidor", disse.

A companhia, porém, adotou em 2015 as bandeiras tarifárias que aumentam o valor pago pela energia, em função do uso das termoelétricas que produzem uma energia mais cara. Na bandeira vermelha, caso do mês de janeiro deste ano, o custo a cada 100 Kwh consumido subirá R$ 3. A conta com o acréscimo chegará no próximo mês.

Para o professor de planejamento energético da Fumec, Virgilio Almeida Medeiros, Mauro Borges "está sendo otimista". "O sistema elétrico está no limite. Não temos energia para grandes projetos industriais, por exemplo. Nós seremos obrigados a diminuir o consumo e isso vai acontecer através do aumento de tarifas, que irão subir muito", avalia Medeiros.

Para Borges, a prioridade do sistema elétrico brasileiro deveria ser a finalização dos linhões que ligarão a região às hidrelétricas Jirau, no rio Madeira, e Belo Monte, no rio Xingu. "Se tivéssemos estes linhões instalados não teríamos qualquer problema de escassez de fornecimento de energia no Brasil", declarou.

Virgílio Medeiros concorda com a avaliação de Borges, mas salienta que estes linhões não chegarão rapidamente. "É um processo que vai levar de dois a três anos, pelo menos", explica. A razão para a dificuldade de construir as linhas de distribuição é, segundo Medeiros, essencialmente ambiental. "Imagine essas linhas passando por quilômetros de áreas amazônicas e do pantanal e o desmatamento de 18 a 20 metros de largura", diz o professor. As compensações ambientais aumentam o custo para realização das obras. "Neste momento começam as brigas judiciais. Todo este impacto ambiental precisa de compensação, como outras árvores plantadas ou a construção de escolas, tudo isso tem um custo que os investidores não querem arcar", explica Medeiros.

Usinas

Em seu discurso de posse, Mauro Borges deixou claro que vai tentar manter a usina de Jaguara sob controle da Cemig. A empresa e o governo federal estão em lados opostos na Justiça para definir a concessão de Jaguara e seus termos. A União diz que para manter o controle da usina, a Cemig deve receber uma remuneração menor, conforme a Lei 12.783/2013, antiga Medida Provisória 579/2012.

Já a Companhia, quer manter, por mais 20 anos, os termos firmados no contrato judicial. A discussão está hoje no STJ. "Vamos avaliar a postura tomada pela Cemig à época e decidir de forma harmônica e viável como buscar uma solução negociada das controvérsias judiciais", declarou Borges. Duas outras usinas podem chegar à mesma situação, a usina de São Simão, que a concessão vence este mês e a de Miranda, que vencerá em 2017.

O novo presidente sinalizou a possibilidade de negociar com o governo federal para chegar a um acordo. "Tem que ser uma solução negociada. Minha postura é de negociação para preservar as três usinas", complementou.

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