Reservatório em estado mais crítico está com vazão 70% menor

Informação foi divulgada nesta sexta-feira (23) durante visita ao local, em Juatuba, na região metropolitana de Belo Horizonte

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

O reservatório Serra Azul, um dos três que abastecem a região metropolitana de Belo Horizonte, localizado em Juatuba, a região metropolitana de Belo Horizonte, está operando com uma vazão 70% menor do que o normal, conforme divulgado nesta sexta-feira (23) pela Companhia de Saneamento do Estado de Minas Gerais (Copasa) durante visita ao local.

Normalmente, o reservatório opera com uma vasão de 2.200 litros de água por segundo. Enquanto isso, neste momento saem apenas cerca de 661 litros por segundo, apenas 30% da quantidade normal. O reservatório está com 5,6% de capacidade, sendo que o nível da água está baixando aproximadamente 4 centímetros por dia.

O Serra Azul conta com uma torre de captação que possui três comportas. A primeira delas fica na parte superior e, quando o nível baixou, ela foi para a comporta do meio. A última fica na parte mais inferior da torre e é a única aberta neste momento, já que o nível da água está 22 metros abaixo da comporta do primeiro nível.

A Copasa não divulgou quantos metros de profundidade ainda existem no reservatório. Porém, quando o nível estiver abaixo desta última comporta, o reservatório passará a operar em volume morto.

O reservatório de Juatuba é o que está em estado mais crítico dos três que compõe o Sistema Paraopeba, também integrado pelos reservatórios Rio Manso e Vargem das Flores. O sistema opera atualmente com 30,25% de sua capacidade.

O reservatório Vargem das Flores apresenta capacidade atual de 28,31% e o Rio Manso, 45,06%. A situação mais crítica ocorre nos 31 municípios da Grande BH, além de Pará de Minas (região Central de Minas), Urucânia (Zona da Mata) e Campanário (Vale do Rio Doce).

Economia de 30%

Nesta quinta-feira (22), a Copasa falou pela primeira vez sobre a situação da crise hídrica. A presidente da Copasa, Sinara Meireles Chenna, disse que a situação dos reservatórios em Minas Gerais está "crítica". "Precisamos conclamar a população de Minas Gerais para economizar água", afirmou a executiva, que, pela primeira vez, admitiu a possibilidade de racionamento ou mesmo de sobretaxa pelo uso de água em todos os mais de 600 municípios atendidos pela companhia no Estado.

O primeiro passo para decretar o racionamento será dado nesta sexta-feira (23), quando a Copasa vai encaminhar ao Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) uma declaração de situação crítica de escassez de recursos hídricos. Se a declaração for aprovada, a empresa poderá adotar mecanismos como racionamento de abastecimento e multas ou sobretaxas para quem consumir muito.

A meta da empresa é reduzir o consumo em 30%. "Queremos a todo custo evitar que seja necessário adotar essas medidas, mas não descartamos a adoção de um racionamento ou de mecanismos tarifários complementares", disse a nova presidente da empresa, que assumiu o cargo há menos de uma semana. Segundo ela, se for mantido o cenário atual, que é o pior, haverá necessidade de iniciar o racionamento em três ou quatro meses.

O governo também destacou que 40% das águas distribuídas na Grande BH são perdidas, seja em vazamentos ou em ligações clandestinas, os "gatos". "Em 2014, a cada 10 litros de água potável entregues à população, 4 não foram consumidos ou usados de maneira regular", segundo nota enviada logo após a coletiva de imprensa pela assessoria de imprensa da Copasa. O desperdício no sistema da Copasa foi revelado em reportagem de O TEMPO nesta quinta-feira.

Atualizada às 11h32

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