População em alerta com onda de crimes violentos

Logo no início do ano, contagenses relatam ocorrências de roubos, assaltos e homicídios em diversos pontos da cidade e cobram mais segurança do poder público

iG Minas Gerais |

Mais um. 
Na semana passada, mãe levou um bebê para participar de assalto
POLÍCIA MILITAR / DIVULGAÇÃO
Mais um. Na semana passada, mãe levou um bebê para participar de assalto

“A criminalidade toma conta da cidade, e a sociedade põe a culpa nas autoridades”. Essa é uma estrofe da música “Cachimbo da Paz” – do álbum “Quebra-Cabeça” – do rapper brasileiro, Gabriel Pensador, composta em parceria com Bollado Emecê (Lulu Santos) e Memê, lançada em 1998. Quase 17 anos se passaram, e a canção não poderia soar mais atual na realidade contagense.

Nos últimos dias, as reclamações dos leitores relacionadas a crimes, como assaltos e roubos, vêm crescendo consideravelmente. No início deste mês, o auditor Thomaz Otoni Iani, morador do bairro Colonial, teve seu aparelho de celular e uma quantia em dinheiro roubados em plena luz do dia, na rua da sua casa. “Estava indo à padaria, como de costume, quando dois homens, em uma motocicleta, se aproximaram e me abordaram com uma arma. Liguei no 190 para registrar o boletim de ocorrência, fiquei esperando mais de uma hora”, conta. “Alguma coisa precisa ser feita, pois já ouvi diversos relatos dos meus vizinhos que também passaram por isso e estão tão assustados como eu”.

A estudante Gabrielly de Souza e outros dois amigos também foram surpreendidos por bandidos próximo à estação do metrô Eldorado. “Dois rapazes nos cercaram e colocaram a arma na cabeça de um dos meus amigos, mandando que entregássemos todo o dinheiro e os celulares. Nem acionamos a polícia, pois já aconteceu outras vezes e sabemos que não dá em nada – é apenas mais um assalto para as estatísticas”, desabafa.

Na primeira segunda-feira do ano (5), ao retornar do trabalho por volta das 18h, a relações-públicas Vânia Rosa foi surpreendida por dois meliantes na região do Eldorado, próximo à sua residência. “Já estava na esquina de casa, conversando no telefone quando dois homens, a pé, me abordaram. Um deles já chegou tomando o celular da minha mão, e outro puxou a bolsa. Fiz boletim de ocorrência, mas nem meus documentos consegui recuperar”, diz.

Em plena luz do dia

Na quinta-feira da mesma semana (8), um homem de 62 anos foi morto e outros dois ficaram feridos após sofrerem um atentado a tiros na avenida João César de Oliveira, no bairro Eldorado. As vítimas estavam dentro de um Uno prata que foi interceptado por um homem a pé.

Conforme a Polícia Militar (PM), o veículo das vítimas estava parado no sinal na esquina com a avenida José Faria da Rocha quando um homem se aproximou do veículo, por volta das 9h, e efetuou mais de 20 disparos. Conforme testemunhas, uma das vítimas assumiu a direção do carro imediatamente e saiu do local, sendo que, instantes depois, eles deram entrada no Hospital Municipal de Contagem, que fica a cerca de quatro quilômetros do local.

Infelizmente, o idoso acabou não resistindo e falecendo pouco antes de dar entrada na unidade. Um dos feridos relatou à polícia que ele e outras três pessoas seguiam para a obra em que trabalham e, quando reduziram a velocidade, uma pessoa surgiu ao lado do veículo e efetuou diversos disparos.

O filho do idoso, de 49 anos, confirmou a versão, dizendo que se abaixou e não viu quem atirou contra eles, fugindo para o hospital em seguida. Segundo a PM, o menor foi atingido por tiros no braço, no tórax e dois no abdome. A suspeita inicial é de que o rapaz seria o alvo dos disparos e os colegas de trabalho acabaram sendo atingidos. Não há informações se ele tinha passagem pela polícia.

Uma funcionária de um comércio próximo, que por medo não quis ser identificada, conta o que presenciou. “Só ouvi os tiros e saí correndo e escondi nos fundos da loja. Fomos assaltados recentemente, e eu ainda estou bastante traumatizada. Alguns colegas de trabalho foram lá perto e contaram que os policiais pegaram cerca de 20 cápsulas das armas, muitos tiros mesmo”, contou.

No dia seguinte, na sexta-feira (9), três jovens de 16, 17 e 21 anos foram detidos após assaltarem quatro pessoas em duas avenidas de Contagem. Durante a tentativa de fuga, eles jogaram uma arma para fora do carro em que estavam. De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, as duas primeiras vítimas estavam em um ponto de ônibus na rua Rio Tocantins quando foram abordadas pelos criminosos. Em seguida, o trio cometeu outro roubo na avenida Juscelino Kubitschek.

Militares do 39º Batalhão foram acionados e se depararam com os suspeitos na avenida José Faria da Rocha, uma das principais da cidade. Com os homens foram recuperados os pertences das vítimas. Os ladrões foram levados para a 6ª Seccional de Contagem.

Por fim, cinco pessoas são suspeitas de assaltar uma lotérica no bairro Água Branca, no último dia 16. De acordo com a Polícia Militar, eles entraram armados no local, renderam os funcionários e roubaram cerca de R$ 70 mil. Ainda de acordo a polícia, eles quebraram os vidros do local e um caixa-forte com uma marreta, que foi abandonada no estabelecimento. Dentre os criminosos está uma mulher. Depois do roubo o grupo guardou o dinheiro em um Corolla e fugiu pela Via Expressa.

A ocorrência foi encaminhada para a Delegacia de Plantão de Contagem. A Polícia Civil recolheu as imagens das câmeras de segurança do local para ajudar na localização dos suspeitos.

Posição

Procurada pela equipe de reportagem, a assessoria do 18º Batalhão da Polícia Militar (BPM) informou que, dos bairros listados, a responsabilidade territorial é apenas do Colonial e, “um levantamento feito sobre essa modalidade delituosa nos últimos meses do ano de 2014 e início de 2015 nesse bairro dá conta de uma manutenção dos índices”.

Além disso, foi ressaltado que “está em fase de implantação a Companhia 283ª na região do bairro Petrolândia, o que aumentará a efetividade das atuações policiais em toda área, que atualmente é de responsabilidade da 133ª Companhia, onde está localizado o bairro Colonial”.

A equipe de reportagem tentou contato com a 2ª Região de Polícia Militar (RPM), mas até o fechamento desta edição não teve sucesso.

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