Crise é resultado de má gestão

Especialistas afirmam que Estado chegou a esse ponto porque não soube utilizar recursos hídricos

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

A situação inédita de falta de água a que Minas Gerais e a região metropolitana de Belo Horizonte chegaram começou a ser “construída” há vários anos. Entre todos os especialistas ouvidos pela reportagem é unânime a opinião de que houve uma gestão irresponsável dos recursos hídricos nas administrações estaduais e nacionais nas últimas décadas. Os problemas são sintetizados em um tripé, com falhas consideradas graves de investimento, fiscalização e transparência.

“Estamos em uma crise profunda e assustadora, precisamos aprender com isso. Está na hora de realmente investir em gestão e não só em obras para captar água”, destacou o presidente do Comitê da Bacia do São Francisco, Anivaldo Miranda. Segundo ele, o aquecimento global não chegou de repente, já é estudado há tempos em outros países, mas o governo brasileiro não se preparou para as longas estiagens e contou exclusivamente com as chuvas para manter o abastecimento.

O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, Marcus Vinícius Polignano, destaca que o Estado está começando o ano em “estação de seca” e que o alerta já estava à vista, com os rios dando sinais de exaustão. “Não retivemos água e, de certa forma, fomos cavando o nosso próprio destino”.

Apolo Heringer, ambientalista e coordenador do projeto Manuelzão, afirma que culpar a natureza é uma saída fácil e irreal. Segundo ele, as chuvas sempre caem, mas a água não é aproveitada. “O Estado está vivendo uma seca subterrânea. Estamos ficando sem água nos lençóis freáticos. O principal problema é que a água da chuva não está infiltrando no solo porque não temos mais vegetação. Com isso, os lençóis não abastecem as nascentes dos rios, que estão secando antes do fim do ano (quando começa os períodos chuvosos, que poderiam ‘encher’ as nascentes)”.

O que está ocorrendo hoje, na avaliação dos especialistas, é reflexo direto do desmatamento dos biomas, da degradação dos rios e da urbanização descontrolada. Eles defendem o racionamento de água por todos, inclusive o setor agrícola e a mineração, e que se inicie uma gestão transparente. “Houve uma falha de esconder a realidade. A população ficou sem saber os riscos que estava correndo. Agora, o jeito é economizar”, disse o presidente do Sindágua, José Maria dos Santos. 

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