Itinerante termina sem rodar

Uma das principais propostas de Burguês, ônibus da Casa não rodou nenhuma comunidade

iG Minas Gerais | Humberto Santos |

Vontade. Wellington Magalhães diz que vai consultar a Mesa Diretora, mas quer acabar com o projeto
Lincon Zarbietti / O Tempo
Vontade. Wellington Magalhães diz que vai consultar a Mesa Diretora, mas quer acabar com o projeto

A Câmara Municipal de Belo Horizonte abriu licitação para a compra de 13 mil litros de combustível para os sete carros oficiais da Casa. Os veículos servem ao presidente, à equipe de segurança que o acompanha e aos servidores para realizarem serviços externos. Serão licitados 8.000 litros de gasolina e 5.000 litros de álcool. Na licitação anterior, em 2012, o edital previa ainda 5.000 litros de diesel. O pregão sem a presença do diesel “sepulta” um dos principais carros-chefes do ex-presidente da Casa Léo Burguês (PTdoB): o projeto “Câmara Itinerante”.

Em 2013, Burguês pretendia equipar um ônibus para realizar reuniões da Câmara nos bairros de Belo Horizonte. O projeto tinha data para ser iniciado: setembro daquele ano, ao custo de R$ 1 milhão a cada 12 meses. No entanto, o veículo não rodou em nenhuma comunidade. A Câmara não teve gasto com o ônibus. Segundo Burguês, à época, ele seria “presente de amigos”. Porém, só com a plotagem foram gastos R$ 8.800 da Câmara. E a manutenção custaria R$ 13,6 mil por mês. A assessoria da Casa informou que não possui mais o ônibus. Por isso, a licitação do diesel foi retirada do certame atual de combustíveis. Questionada sobre quanto foi gasto de diesel, a assessoria informou que não haveria tempo hábil para levantar os dados até o fechamento desta edição. Outra informação que não foi dada é sobre os gastos para equipar o veículo: quanto foi pago e se o recurso foi “perdido”. O “Câmara Itinerante” causou muita polêmica entre os vereadores. Os colegas de Burguês diziam que a proposta era muito personalista e só serviria para aumentar a popularidade do então presidente. O atual presidente da Casa, Wellington Magalhães (PTN), diz que está fazendo a análise de todos os atos de seu antecessor, mas sinaliza para o fim da proposta. “Vou rever essa ideia com a Mesa Diretora. Devo acabar, mas vou decidir com a Mesa”, afirma, tentando mostrar que mantém o diálogo com os aliados. O vereador Ronaldo Gontijo (PPS), responsável por rever o texto do regimento interno da Câmara junto com o vereador Preto (DEM), confirma que no novo documento não há previsão de sessões itinerantes. Segundo Gontijo, também serão criados mecanismos para coibir as reuniões de comissões em bairros. “A intenção é que todas as reuniões aconteçam na Câmara. Essa é uma forma de prestigiar a Casa e aproximar o eleitor da Câmara, além de economizar os recursos”, diz. O TEMPO procurou o vereador Léo Burguês em seus celulares, mas as ligações caíam na caixa postal.

Distâncias Redondeza. Para participar da concorrência, os postos de combustíveis interessados devem estar num raio de 3Km da Câmara. No edital anterior, em 2012, esse raio era maior, de 5 Km.

Combustíveis Frota. A Câmara Municipal possui uma frota de sete carros. Um Focus, um Fiesta e um Palio TK do ano de 2010, outros dois Palios dos de 2001 e 2002, e dois Prisma de 2008. Distância. Se consideramos um consumo médio de 10 km por litro, os 8.000 litros de gasolina permitiriam percorrer 80 mil quilômetros, o suficiente para dar duas voltas na circunferência da Terra. Despesas. Em 2013, a Câmara Municipal gastou R$ 22.500,54 com a rubrica “combustíveis e lubrificantes automotivos”. No ano seguinte, o valor, até novembro, foi de R$ 14.486,27. Custo. Na licitação de 2012, para a compra do combustível em 2013, o preço da gasolina era de R$ 2,55.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave