Pimentel acerta com o PSD e isola tucanos na Assembleia

Após entregar vice-liderança a Fábio Cherem, Executivo agora articula com siglas alinhadas ao PSDB

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda |

Alinhados. 
Ministro Gilberto Kassab e Fernando Pimentel trabalham para reeditar a parceria nacional
Omar Freire/Imprensa MG
Alinhados. Ministro Gilberto Kassab e Fernando Pimentel trabalham para reeditar a parceria nacional

O governador Fernando Pimentel (PT) deu mais uma cartada na costura política que tem promovido para isolar de vez o PSDB, principal partido de oposição no Estado, na Assembleia Legislativa. Ao entregar a primeira vice-liderança de governo ao deputado Fábio Cherem, do PSD, o governador atrai a sigla para sua base no Legislativo.  

O acordo, fechado num encontro que reuniu o deputado, o secretário de Governo, Odair Cunha, e o deputado Durval Ângelo, nesta quarta na Cidade Administrativa, afasta definitivamente o PSD dos tucanos. Essa pelo menos é a avaliação de lideranças ligadas ao Executivo. Ainda estão em jogo outros quatro cargos de vice-líder no Legislativo que serão distribuídos pelo governador a legendas que não o apoiaram na eleição do ano passado, mas que são importantes para a base, como PV, PDT e PR.

Segundo o líder do governo, deputado Durval Ângelo (PT), não há mais dúvidas sobre o apoio do PSD. “Em dezembro, o presidente Gilberto Kassab disse que o partido seria governo. O Fernando sabe que não é só o apoio da executiva nacional que basta, por isso fez o gesto de convidar o partido para a vice-liderança. Esse é um gesto que bate o martelo e consolida nossa relação com o PSD”.

Na semana passada, Pimentel e Kassab, atual ministro das Cidades, se reuniram para tratar do metrô, mas a costura política também teria entrado na pauta. Para o futuro primeiro vice-líder, Fábio Cherem, o caminho seguido pelo PSD é o “natural”. “Já havia essa sinalização da direção nacional”.

O PSD conta hoje com quatro deputados. A princípio, eles irão integrar o chamado bloco independente, mas deverão se unir para votar com o governo. Assim, no bloco dos independentes, ficariam 25 dos 77 deputados. Alinhados com os interesses do governo, eles atuariam com a base governista formada por 26 parlamentares das cinco siglas – PT, PMDB, PRB, PROS e PCdoB – que integraram a coligação que elegeu Pimentel em outubro.

Nesta quinta, Durval Ângelo se reuniu com o secretário de Governo, Odair Cunha, para discutir a negociação de espaços entre os partidos e a criação dos blocos que serão formalizados em fevereiro. A pretensão é colocar na vice-liderança nomes que ajudem na articulação no plenário e tornem a vida de Pimentel mais fácil na Assembleia. “Será uma surpresa. Teremos uma base muito significativa, com muitos partidos, enquanto a oposição terá poucos nomes”, garantiu. Na última legislatura, o PSDB contava com o apoio da ampla maioria das siglas. A oposição, por sua vez, era exercida principalmente por PT e PMDB.

Até a próxima semana novas conversas irão acontecer. O secretário de Governo tem repassado os recados de Pimentel às legendas. Espaços no segundo escalão do Estado também estão em jogo.

Comando

Mudança. O PSD é comandado atualmente por Alexandre Silveira, ex-secretário no governo do PSDB. Uma nova direção deverá ser eleita, afinada com o governo de Fernando Pimentel.

Novatos Sorteio. Como é de praxe no começo de legislatura, os deputados novatos vão participar de um sorteio para saber qual gabinete irão ocupar. Assim, os 26 estreantes terão que contar com a sorte caso queiram ficar com os gabinetes mais cômodos. O sorteio será no próximo dia 29. Veteranos. Os deputados que continuam na Casa têm prioridade para solicitar a ocupação dos gabinetes de quem está deixando a Casa. O sorteio, então, será dos espaços que sobrarem.

Tucano avisa que governo será vigiado de perto Para a oposição, a manobra de isolá-la na Assembleia não irá surtir efeito. O deputado João Leite (PSDB) avisou que o Executivo será vigiado de perto. “Eles (governo) acreditam que nós seremos 22 deputados, mas acreditamos em 31. Vamos fazer uma oposição forte”. O parlamentar fez críticas aos aliados ao governo que, segundo ele, não têm garantido quórum das reuniões. “A base de governo já é maioria, mas eles mesmos não estão comparecendo nem sinalizam a costura de um acordo para votar o orçamento.” Com reunião marcada para as 14h desta quinta, meia hora depois o plenário da Casa já estava fechado. Apenas oito deputados compareceram, mas era preciso número mínimo de 27 para que a reunião fosse aberta. Até hoje os deputados não votaram o Orçamento 2015, o que deveria ter acontecido no ano passado. Pelo regimento da Casa, os parlamentares não poderiam entrar em recesso antes da votação.

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