Na batida contemporânea

Concerto Schlag! apresenta combinação entre música acústica, eletroacústica e audiovisual neste fim de semana

iG Minas Gerais | Daniel Toledo |

Encontro. Músicos e videoartistas uniram-se em 2013 para criar o grupo, valorizando os gestos que agem sobre instrumentos sonoros
paula Silva/ Divulgação
Encontro. Músicos e videoartistas uniram-se em 2013 para criar o grupo, valorizando os gestos que agem sobre instrumentos sonoros

Relacionada à língua alemã, a palavra “schlag” costuma ser traduzida ao português como golpe, batida ou batimento. Pois é justamente aos frequentes “ataques” dos músicos a seus instrumentos que pretende chamar atenção o Concerto Schlag!, uma das atrações da programação do 9º Verão Arte Contemporânea (VAC) para este fim de semana, com apresentações amanhã e domingo, na sala Sergio Magnani da Fundação de Educação Artística.

“A escolha dessa palavra para nomear nosso grupo tem a ver com a ideia de que, na música, todo ataque gera um som, seja sobre uma tecla de piano ou um instrumento de percussão”, sintetiza a pianista Alice Belém, integrante do grupo Schlag! ao lado dos músicos Matthias Koole, Paulo Dantas e Charles Augusto e dos videoartistas Lucas “Patitas” Sander e Paula Santos.

Reunindo piano, violão, guitarra, percussão e instrumentos de difusão eletroacústica, sempre acompanhados de imagens projetadas em um telão, o grupo foi fundado em 2013 e desde então já se apresentou em Belo Horizonte, Ouro Preto e Mariana. Para a sua segunda participação consecutiva no VAC, o Schlag! preparou um repertório que inclui obras contemporâneas nacionais e internacionais, sendo algumas delas inéditas no Brasil.

Gesto. “Dessa vez, contamos ainda com a presença de dois convidados, a flautista Joana Radicchi e o clarinetista Alexandre Silva, e isso nos permite ampliar o repertório apresentado em concertos anteriores. Mas nossa proposta continua a mesma: executar obras que proponham interação entre sons acústicos e eletroacústicos, explorando tanto as possibilidades dos próprios sons quanto as dos gestos que atuam sobre esses instrumentos”, comenta Alice, para quem o interesse pelo gesto é uma tendência dentro da produção musical contemporânea.

Entre as obras escolhidas para os concertos deste fim de semana estão composições de importantes nomes do cenário internacional, como é o caso de Alexander Schubert, Elliott Carter e Arthur Kampela, assim como de integrantes do próprio grupo – a exemplo de “nonflam“, recentemente composta pelo músico Paulo Dantas.

“Essa peça traz uma combinação entre percussão e efeitos eletrônicos, explorando pontos extremos dessas sonoridades. O que nos interessa, ali, é explorar a região aguda de alguns instrumentos e construir dinâmicas fortes entre os diferentes elementos da música, assim como explorar mudanças de tempo e pulsação”, observa a pianista.

Repetições, deslocamentos e até mesmo caricaturas sonoras são alguns dos efeitos desejados pelo grupo, em uma apresentação que justapõe de modo permanente música e imagem.

“Durante a peça de Schubert, por exemplo, o que se tem é a caricatura de um percussionista que está sendo filmado durante o tempo todo. Essas imagens aparecem no vídeo ao mesmo tempo em que os movimentos dele são detectados por sensores e interferem na parte eletroacústica do concerto”, esclarece Alice, destacando que cada peça estabelece diálogos específicos com as paisagens visuais que são projetadas no palco.

Agenda O quê. Concerto Schlag!

Quando. Amanhã, às 20h, e domingo, às 11h

Onde. Fundação de Educação Artística – Sala Sérgio Magnani (rua Gonçalves Dias, 320, Funcionários)

Quanto. R$ 16 (inteira)

Repertório

Confira:

“Laplace Tiger”, de Alexander Schubert

“Esprit Rude/Esprit Doux II”, de Elliott Carter

“Estudo de Percussão III”,de Arthur Kampela

“nonflam”, de Paulo Dantas

“Estudos nº 6 e 3C”,de Conlon Nancarrow

“Verlier die Vier”, de Michael Beil

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