Fernando Pimentel exonera filho de Carlaile

Carlaile Antônio, o Tatau, imaginou que poderia se manter no cargo de ouvidor geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) mesmo com a vitória do PT

iG Minas Gerais | Da Redação |

Tatau recebia salário de R$ 7.000 para exercer, no papel, cargo de ouvidor do DER
Facebook/Reprodução
Tatau recebia salário de R$ 7.000 para exercer, no papel, cargo de ouvidor do DER

Enquanto o prefeito Carlaile Pedrosa, único tucano a governar uma cidade de relevância econômica na Grande Belo Horizonte, mexe e remexe em seu governo para conseguir abrigar o máximo de correligionários que ficaram desempregados com a derrota do PSDB nas eleições estaduais, o governador Fernando Pimentel (PT) faz um movimento contrário. Ele tenta tirar os adversários políticos que permanecem no governo.

Há menos de um mês como governador, Pimentel ainda está tendo trabalho para exonerar gerentes e ocupantes de cargos comissionados que foram nomeados pela gestão anterior. “Esperava-se que, na troca de gestores, os militantes políticos do PSDB deixassem os cargos voluntariamente, entregando suas cartas de demissão, porém, não é isso o que está ocorrendo”, disse o líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Durval Ângelo (PT).

Um desses tucanos “insistentes” era o próprio filho do prefeito de Betim. Carlaile Antônio Silva Pedrosa, o Tatau, ocupava o cargo de ouvidor do Departamento de Estradas de Rodagens (DER) por indicação política. Apesar de raramente frequentar as instalações do órgão estatal e passar as eleições inteiras coordenando a campanha de Pimenta da Veiga em Betim, cujo resultado foi o pior já obtido pelo PSDB em uma eleição para governador, Tatau se manteve empregado até que a exoneração fosse determinada pelo novo diretor do DER, Célio Dantas de Brito.

O ato de exoneração do betinense, publicado no “Minas Gerais” da última terça-feira (20), causou estranheza no mundo político e nos círculos sociais de Betim. “Será que ele imaginava ficar empregado no governo do PT?”, indagou o vereador Antônio Carlos (PT), que faz oposição ao governo do PSDB na cidade.

O parlamentar betinense recebeu a notícia com surpresa. “Muita gente nem sabia que o Tatau tinha esse cargo no governo. Porque, enquanto ouvidor, ele não se preocupou em ajudar a melhorar a qualidade do transporte público intermunicipal, cujo serviço é sempre alvo de críticas da população”, afirmou.

‘Boquinha’

Para ocupar o cargo de ouvidor do DER, uma função técnica e que deveria exigir do indicado pelo menos uma formação relacionada à infraestrutura, Carlaile Antônio recebia um vencimento bruto mensal de R$ 7.000.

A indicação dele foi fruto de uma negociação encabeçada pelo próprio pai, Carlaile, e pelo tio, o empreiteiro Ciro Pedrosa, que, através de suas empresas, chegou a prestar serviços indiretos para o governo estadual.

O acordo, segundo ex-dirigentes tucanos de Betim e Belo Horizonte, foi selado em 2010, após a eleição de Carlaile Pedrosa para o cargo de deputado federal pelo PSDB. Na época, o atual prefeito contou com amplo apoio de outros partidos da cidade.

Para fazer a nomeação, a diretoria do DER, apesar de ter estranhado a indicação, recebeu a determinação do então secretário estadual de Governo, Danilo de Castro, então “homem forte” do PSDB.

Tatau passou a ser funcionário público estadual, apesar de permanecer na maior parte de seu tempo em Betim. Nas eleições para prefeito, em 2012, ele tentou coordenar o núcleo de juventude da campanha. No ano passado, esboçou uma candidatura a deputado, que foi desmotivada pela família após do rompimento do grupo político que elegeu o pai como prefeito. Como “prêmio de consolação”, Carlaile Antônio, enquanto recebia do DER, passou os meses de agosto, setembro e outubro tomando conta de um comitê de Pimenta da Veiga no bairro Brasileia.

Sem resposta

A reportagem tentou conversar com o filho do prefeito, mas ele não retornou as ligações. Já segundo a assessoria de imprensa do DER, Carlaile Antônio tirou férias regulares no mês de janeiro.

Virou obrigação

A revelação do fato de Carlaile Antônio ter ocupado o cargo de ouvidor do DER explica, em parte, a desconfortável situação do prefeito de Betim à frente de sua administração. Mesmo agindo contra suas promessas, Carlaile Pedrosa está exonerando betinenses para colocar no lugar pessoas que fizeram parte do alto escalão do governo de Minas. O ex-diretor do Hospital Regional de Betim Guilherme Carvalho é uma dessas pessoas. Ele perdeu seu espaço para o ex-presidente do Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais (Ipsemg), o médico Leonardo Brescia.

O jornalista Hugo Teixeira é outro tucano que ficou desempregado e foi abrigado na Comunicação de Betim por determinação o PSDB de Minas.

Outros nomes ligados ao tucanato do Estado também se preparam para desembarcar em Betim. O ex-secretário adjunto de Defesa Social no governo de Aécio Neves, Luiz Flávio Sapori, promete assumir, no próximo mês, a recém-criada Secretaria de Segurança. Já o sociólogo Cláudio Beato, que ocupará o cargo de secretário adjunto de Segurança, foi um dos coordenadores do plano de governo do PSDB.

Outras duas funções estratégicas na prefeitura foram entregues a tucanos desempregados. A Secretaria de Saúde passou a ser controlada pelo médico Rasível Reis, que, até o ano passado, era o coordenador de urgência e emergência da Secretaria de Estado da Saúde, no governo de Antonio Anastasia. Já Gustavo Palhares, do Planejamento municipal , também foi indicado pelo PSDB estadual.

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