Usuários sofrem com a falta de remédios no SUS

Segundo informações de funcionários das UBSs, há cerca de dois meses, faltam desde anti-inflamatórios a medicamentos indicados para o tratamento de hipertensão

iG Minas Gerais | Dayse Resende |


Desumano. 

No Angola, bancos sem acentos expõem usuários a riscos
Desumano. No Angola, bancos sem acentos expõem usuários a riscos

 

Uma denúncia feita à reportagem de O Tempo Betim na última semana reforça o estado de colapso em que se encontra a saúde do município. Além da precariedade na estrutura das unidades de saúde já relatada inúmeras vezes por funcionários e pacientes, faltam medicamentos fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).   Na terça-feira (20), nossa equipe percorreu algumas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), e, se passando por um paciente, constatou que havia déficit de pelo menos 16 medicamentos na rede. Na unidade do Cidade Verde, um cartaz afixado na farmácia alertava o usuário para o problema. “Esses medicamentos estão em falta há cerca de dois meses”, disse uma funcionária, sem saber que estava sendo questionada pela reportagem de O Tempo Betim.   Já na UBS do Angola, a atendente da farmácia disse que faltavam o Beclometasona (anti-inflamatório) e o Losartana (medicamento indicado para tratamento de pressão alta).   No Vianópolis, a situação não era diferente. A atendente do setor informou à reportagem que estava em falta, além do Beclometasona, o Captopril. Já no Cachoeira, o problema era a falta de funcionários. Como um deles está de férias, a retirada de medicamentos só ocorre até as 15h.   Falta de estrutura Não é só com a falta de medicamentos que os usuários sofrem. Na UBS do Angola, também é possível encontrar bancos sem assentos na porta dos consultórios.   Já no Cachoeira, a situação é ainda mais delicada. Lá, além de cadeiras rasgadas, há paredes descascadas e salas sem ventilação. “A situação é desumana. Com este calor, as salas ficam muito quentes. A gente tenta amenizar o problema com ventiladores”, disse uma funcionária, que pediu para não ser identificada. No Vianópolis, equipamentos e mobílias enferrujadas colocam em risco a saúde dos pacientes.    Resposta A prefeitura informou que os medicamentos Beclometasona 50 miligramas e Losartana 25 miligramas estão disponíveis nas UBS. Já o Beclometasona 250 miligramas e o Losartana 50 miligramas são disponibilizados gratuitamente pelo programa Farmácia Popular no município. O Executivo ressaltou, ainda, que os demais medicamentos podem ser substituídos por outros títulos que desempenham o mesmo efeito e que são disponibilizados pelas farmácias populares e pelas unidades de saúde. Sobre o mobiliário, a prefeitura disse que está fazendo um levantamento de quais itens precisam de reposição ou manutenção.

 

 

No Jardim Petrópolis falta médico Moradores da região do PTB também sofrem com a precariedade da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Petrópolis. Lá, segundo denúncias de funcionários, além de faltarem remédios, há déficit de médicos. O problema estaria ocorrendo desde agosto do ano passado. “Essa unidade atende mais de 40 mil pessoas, e, com o quadro de funcionários defasado, a situação está complicada”, conta o líder comunitário José Irani, conhecido como Maritaca.   Funcionários também reclamam da precariedade da cozinha da UBS. Diariamente, eles são obrigados a almoçar na área externa da unidade de saúde, expostos ao sol ou à chuva.  A prefeitura nega a falta de estrutura na cozinha da unidade e ressalta que apenas uma das quatro equipes está sem médico. “O profissional vai começar a atuar em fevereiro”, completa. 

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