‘Projeto do PT criou esquema’

Empresário acusa formalmente o governo de usar a Petrobras para comprar apoio no Congresso

iG Minas Gerais |

Brasília. O vice-presidente da Engevix Engenharia, Gerson de Mello Almada, preso desde novembro suspeito de integrar o esquema de corrupção da Petrobras, acusa o governo federal de “lotear” a administração pública para satisfazer partidos políticos e de usar a Petrobras para “geração desses montantes necessários à compra da base aliada do governo”. O empresário também acusa o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa de fazer achaques, junto com outros administradores da petroleira, em nome de partido ou em nome de governo.

Em uma petição de 85 páginas apresentada por sua defesa, Almada aponta Costa como o personagem escolhido para “exigir” as propinas e “extorquir” os empresários.

Oficialmente, a petição é o primeiro documento produzido por um dos empreiteiros presos na operação Lava Jato a associar o esquema de corrupção na Petrobras à compra e manutenção da base do governo no Congresso, análogo ao ocorrido no esquema do mensalão.

O empreiteiro ainda reconhece indiretamente que pagou propina e tenta colocar os empresários como vítimas do esquema. “Não por coincidência, a antes lucrativa sociedade por ações Petrobras foi escolhida para geração desses montantes necessários à compra da base aliada do governo e aos cofres das agremiações partidárias”, diz a defesa do empresário.

A petição foi protocolada na quarta-feira pelo advogado de Almada, Antonio Sergio de Moraes Pitombo. O empreiteiro é acusado de formação de cartel e de integrar uma organização criminosa montada para controlar e superfaturar obras da Petrobras. O documento é a resposta à denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF) em novembro. De acordo com a defesa, Paulo Roberto Costa ameaçava as empresas caso não fossem desviados valores para o esquema: “Nessa combinação de interesses escusos, surgem personagens como Paulo Roberto Costa, que, sabidamente, passou a exigir percentuais de todos os empresários que atendiam a companhia. Leia-se exigir. O que ele fazia era ameaçar, um a um, os empresários, com o poder econômico da Petrobras. Prometia causar prejuízos no curso de contratos”, afirma outro trecho do documento.

Na argumentação da defesa, a acusação do MPF não pode ser aceita porque não levaria em conta o “plano de manutenção” do PT no governo federal: “A denúncia não pode ser recebida, pois não conta a verdade, fim precípuo do processo penal. Vale registrar alguns fatos notórios, outros emergentes dos próprios autos do inquérito policial, que desapareceram da acusação: faz mais de 12 anos que um partido político passou a ocupar o poder no Brasil. No plano de manutenção desse partido no governo, tornou-se necessário compor com políticos de outros partidos, o que significou distribuir cargos na administração pública, em especial em empresas públicas e em sociedades de economia mista”.

Nulidade

Laranja. A defesa de João Procópio, considerado laranja do doleiro Alberto Youssef, pediu à Justiça a nulidade do processo e o impedimento do juiz Sérgio Moro para conduzir o caso.

Depoimento é adiado novamente O depoimento do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que deveria ter ocorrido nesta quinta, foi cancelado por questões técnicas da Polícia Federal. Ele falaria sobre a compra da refinaria de Pasadena (EUA), que teria gerado prejuízo de US$ 792 milhões. Também nesta quinta, o juiz Sérgio Moro anulou a prisão preventiva de Cerveró e a decretou novamente. A ordem anterior estava sendo contestada pela defesa do acusado por ter sido emitida por um juiz de plantão.

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