Prefeito e presidente da Câmara de Nova Belém são suspeitos de fraude

Ambos foram afastados dos cargos por 180 dias; a suspeita é de beneficiamento de candidatos de concurso público realizado em 2014; sócios da empresa que organizou o processo seletivo também estariam envolvidos

iG Minas Gerais | Da Redação |

A Justiça determinou o afastamento, por 180 dias, do prefeito e do presidente da Câmara de Nova Belém, no Vale do Rio Doce. A medida é em virtude de Ação de Improbidade Administrativa ajuizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O afastamento do prefeito, Valdeci Dornelas (PSD), e do presidente da Câmara, vereador Renaldo Inácio (PSD), é para evitar que ambos gerem prejuízo ao andamento do processo, usando do poder econômico e influência política de que dispõem para interferir no depoimento das testemunhas.

Os agentes políticos são suspeitos de fraude no concurso público municipal realizado em 2014. Também são acusados de envolvimento no esquema, os dois sócios da empresa que organizou o processo seletivo e o presidente da comissão de concurso.

Segundo o MPMG, também são acusados de envolvimento no esquema, os dois sócios da empresa que organizou o processo seletivo e o presidente da comissão de concurso.

Esquema

Após a realização da prova, alguns candidatos vinculados ao prefeito eram chamados por ele ou pelo presidente da Câmara para ir até a casa do chefe do Executivo para assinar um novo gabarito. Segundo provas reunidas durante a apuração da fraude, alguns candidatos eram informados sobre quantas questões acertariam e qual seria a sua classificação no concurso. O próprio presidente da Câmara afastado foi aprovado para o cargo de motorista.

A ação do MPMG pede a restituição integral do valor pago pela realização do concurso, com a devida correção, além da perda da função pública, a suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos, o pagamento de multa civil de até duas vezes o valor do dano e a proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos.        Para o promotor de Justiça responsável pelo caso, Evandro Ventura da Silva, a necessidade de afastamento do prefeito e do presidente da Câmara também está de acordo com os princípios da moralidade e da eficiência. “Diante de tantas irregularidades encontradas, não é possível que eles ainda ocupem os dois cargos máximos do município enquanto o processo estiver em andamento, já que a sociedade tem direito a um governo que respeite a legislação, que seja honesto e eficaz”.

A reportagem de O TEMPO tentou contato com a Prefeitura e Câmara de Nova Belém, mas nenhum dos telefones atendeu.

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