Outras três cidades buscam medidas para amenizar crise hídrica

Ewbank da Câmara, na Zona da Mata, Lavras, no Sul do Estado, e Uberaba, no Triângulo Mineiro, estão buscando alternativas para suprir a falta de chuva

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

A Presidente da Copasa Sinara Meireles Chenna disse que a situação é crítica.
Ana Paula Pedrosa / O Tempo
A Presidente da Copasa Sinara Meireles Chenna disse que a situação é crítica.

A crise hídrica que atinge Minas Gerais levou outras três cidades a buscarem medidas para amenizar o risco de falta água. Em Ewbank da Câmara, na Zona da Mata, os reservatórios estão com 20% da capacidade; em Lavras, no Sul do Estado, o baixo nível dos rios gera intermitências no fornecimento; e em Uberaba, no Triângulo Mineiro, uma reunião emergencial aconteceu nesta quinta-feira (22) para buscar soluções para as lavouras.

De acordo com o secretário de obras de Ewbank da Câmara, Paulo Quetz, a cidade sempre viveu em fartura de água e a Prefeitura fornecia o serviço sem qualquer cobrança. "Acreditamos que, por isso, as pessoas acabam não dando tanto valor para esse bem e desperdiçando demais", argumentou.

Com a baixa no nível dos reservatórios, apesar da situação ainda estar sob controle, a administração municipal decidiu iniciar um trabalho de conscientização. "Já estamos fazendo campanha para evitarem o desperdício. Colocamos agentes indo de porta em porta, pedindo a colaboração dos moradores, e enviando uma carta aberta explicando a situação", explicou Quetz.

Porém, pensando a médio prazo, o secretário afirma que o município pretende terceirizar o serviço para a Copasa no tratamento de água e esgoto. "É algo que precisamos pensar no futuro, pois a pessoa pagando ela fica mais sensível em relação ao desperdício. O projeto ainda passará por aprovação da Câmara Municipal", finalizou.

Em Lavras, a Copasa divulgou nesta quarta-feira (21), uma nota anunciando sobre a intermitência no abastecimento de alguns bairros. O motivo seria que o calor e a ausência de chuvas teria reduzido os níveis dos ribeirões Água Limpa e Santa Cruz e do rio Grande, que são os mananciais responsáveis pelo abastecimento de água no município.

A companhia ainda pede a colaboração dos moradores evitando o desperdício com algumas medidas, como lavar o carro usando um balde, fechar sempre bem as torneiras, tomar banhos mais rápidos, molhar as plantas com regador, não lavar passeios, entre outras.

Em Uberaba, um dos maiores produtores de alimentos de Minas Gerais, a estiagem também levou a Secretaria de Agricultura a fazer uma reunião emergencial nesta quinta-feira (22). Ficou decidido que os técnicos percorrerão nos próximos três dias todas as regiões da cidade para levantar informações sobre a situação das lavouras.

Estratégias para reservação de água da chuva nas propriedades rurais também foram discutidas, porém, caso as chuvas previstas para os próximos dias não superarem as expectativas, a Prefeitura já anunciou que existe a possibilidade de voltar a decretar situação de emergência.

Na tarde desta quinta-feira, a Copasa realizou uma coletiva de imprensa em que afirmou que a situação dos reservatórios em Minas Gerais está "crítica". "Precisamos conclamar a população de Minas Gerais para economizar água", afirmou a presidente da companhia Sinara Meireles Chenna. Esta foi a primeira vez que a empresa admitiu a possibilidade de racionamento ou mesmo de sobretaxa pelo uso de água em todos os mais de 600 municípios atendidos pela companhia no Estado. 

Conforme a empresa, o Sistema Paraopeba, que abastece a RMBH e é composto pelos reservatórios Serra Azul, Rio Manso e Vargem das Flores, está operando atualmente com 30,25% de sua capacidade. Dos três reservatórios, o que apresenta a pior condição é o Sistema Serra Azul, que atualmente está com apenas 5,73% de seu volume, praticamente já operando em seu volume morto.

Outras cidades

Brasília de Minas, no Norte do Estado, foi uma das três cidades que já decretaram estado de emergência por conta da seca em 2015. A ausência de chuvas foi tanta que 95% das lavouras, principalmente de milho, feijão e mandioca, já foram perdidas. O decreto foi encaminhado ao Ministério da Integração com o objetivo de conseguir recursos para amenizar a situação dos produtores, ainda que paliativamente.

Ainda conforme a administração da cidade, as poucas chuvas que atingiram a cidade em dezembro foram suficientes para encher ainda que minimamente os reservatórios e, com isso, o fornecimento para população ainda não chegou a ser prejudicado.

A situação é semelhante em Francisco Badaró, no Jequitinhonha, onde mais de 85% das lavouras de subsistência, principalmente milho, feijão, cana e verduras, foram perdidas e cerca de 70% dos gados foram para outras regiões.

Conforme a Secretaria de Agricultura do município os níveis das represas estão baixando bastante e, por isso, decretaram a situação de emergência. O objetivo é conseguir verba para investir em captação de água.

Viçosa foi a última cidade a baixar o decreto de estado de emergência, nesta terça-feira (20), e também determinou uma série de restrições para o uso da água potável como forma de coibir desperdícios. Além de orienta a população a não usar água da rede pública para diversas atividades. A cidade também adotou um rodízio na distribuição de água.

Os bairros serão abastecidos de acordo com o dia da semana, de menos domingo, de 7h às 19h. O Sistema Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) garantirá o abastecimento de água potável às unidades de saúde, creches, escolas e prédios públicos, por intermédio de carros-pipas.

Ouro Preto, na região Central do Estado, também adotou medida semelhante desde o início desta semana devido à baixa nos níveis de água dos mananciais da cidade. O Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) criou uma escala para que a população saiba quais os dias e horários em que o serviço de distribuição de água ocorrerá.

Outra cidade que está pensando em medidas para suprir as perdas geradas pela estiagem é Pirapora, também no Norte do Estado. Visando garantir o abastecimento da população no segundo semestre, a prefeitura já estuda entrar com um pedido para interromper o fornecimento à represa de Três Marias, no rio São Francisco.