Dirceu quer novo rumo para o PT e organiza grupo para criticar Dilma

Em prisão domiciliar, Dirceu realiza encontros reservados com diversos políticos em sua casa no Lago Sul de Brasília

iG Minas Gerais | da redação |

Dirceu ainda se considera forte no PT
Dirceu ainda se considera forte no PT

O ex- ministro da Casa Civil, José Dirceu, condenado em 2012 a 7 anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa, está tentando reagrupar os seus aliados dentro do PT. Ele realiza encontros reservados com diversos políticos, cerca de 30 deputados, sete senadores e vários militantes de diversos Estados, em sua casa no Lago Sul de Brasília, com a intenção de formar um novo grupo político dentro do partido, o que pode fazer com que ele seja afastado da corrente Construindo um Novo Brasil (CBN), que é a mais forte.

Dirceu ainda se considera um nome forte dentro da legenda, e com isso vem tentando reunir militantes de diversas frentes, incluindo pessoas ligadas a José Eduardo Cardozo, com quem não possui uma boa relação e frentes mais esquerdistas, ideologicamente, dentro do partido.

A intenção de José Dirceu é discutir o caminho a ser tomado pelo PT antes do 5º congresso petista, que irá ocorrer em Salvador, aonde devem apontar o norte que será tomado pelo partido nos próximos anos e realizar uma autocrítica sobre os escândalos de corrupção.

Uma das principais críticas do ex-ministro, segundo pessoas próximas a ele, é o fato de o governo não conseguir reagir aos ataques da oposição. A presidente Dilma Rousseff e sua equipe, Aloizio Mercadante (Casa Civil), Miguel Roussetto (Secretaria Geral da Presidência) e Pepe Vargas (Secretaria de Relações Institucionais) são os principais alvos de Dirceu.

Nesta terça-feira (22), José Dirceu publicou um texto em seu blog, no qual criticava as medidas econômicas adotadas pelo governo. "O aumento de impostos e dos juros são apenas consequências, desdobramentos da busca de um superávit de 1,2% do PIB este ano", escreveu.

"A elevação dos juros visa derrubar a demanda e vem casada com o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para os empréstimos às pessoas físicas. Aí, também, refreando o consumo. Caminhamos assim - conscientemente, espero, por parte do governo - para uma recessão com todas as suas implicações sociais e políticas", completou.

O ex-ministro demonstrou estar chateado com o alto escalão petista, pois sentiu que foi deixado de lado após as acusações de corrupção. Inclusive, o vontade de alguns integrantes do PT para que ele não apresentasse o pedido de prisão domiciliar antes das eleições, para não municiar a oposição, não foi aceito por ele.

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