É hora de Dilma falar

iG Minas Gerais |

Dilma sumiu. De acordo com levantamento do jornal “O Globo”, completavam ontem 30 dias sem a presidente dar entrevistas. E há razões para o desaparecimento. Desde o fim do ano passado e nos primeiros 20 dias de janeiro, o segundo mandato de Dilma Rousseff é uma negação completa e radical de toda a política econômica de seus primeiros quatro anos e também uma enorme contradição com o discurso da candidata do PT durante a eleição. Justamente quando sua militância esperava uma gestão mais coerente com princípios um dia defendidos pelo PT – como ética, solidariedade, igualdade social –, a presidente deixou na mão quem não só a elegeu, como ainda comprou briga por ela. Para não ter de explicar o inexplicável e também para evitar o desgaste das medidas impopulares do chamado “pacotão de maldades”, Dilma resolveu dar um tempo e deixar na linha de frente o novo guru de seu governo, Joaquim Levy. Por falar nele, a se julgar pelas capas de jornais, programas de TV e pronunciamentos em 2015, é o ministro da Fazenda quem parece governar o país. Aumento da gasolina, do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), dos juros, maior rigor na concessão de benefícios ao trabalhador; em tudo, atacado ou omitido por Dilma durante a eleição e agora defendido por seu governo como “ajuste necessário”, é Joaquim Levy quem dá a cara a tapa e, ao mesmo tempo, desenha o perfil da atual administração. A presidente também ainda não se explicou sobre a escolha dos ministros. Logo ela, conhecida por seu rigor e exigência até exagerada por resultados, repetiu uma composição com critérios majoritariamente políticos para sua equipe ministerial. Os mais otimistas a defenderam, alegando ser necessária uma tropa de choque multipartidária e setorial (agronegócio, religião etc.) para aprovar projetos no Congresso. Mas haja pragmatismo para justificar o novo ministro do Esporte, o deputado mineiro George Hilton (PRB). Em suas primeiras entrevistas, o pastor George, como era conhecido em seus tempos de Assembleia Legislativa em Minas, deu um show de desconhecimento completo sobre a pasta, com o agravante da importância do ministério um ano antes das Olimpíadas do Rio de Janeiro. Mas, se não respondeu a quase nada de forma objetiva, George Hilton já deixou evidente nas entrelinhas sua única função ali: ocupar um espaço político de prestígio e cargos para o PRB em troca do apoio da bancada evangélica. A crise energética também pode entrar na conta do sumiço de Dilma. É um momento ruim para qualquer presidente ter de falar em apagão e risco de racionamento de água e de energia (culpa compartilhada com os governos estaduais). Mas talvez fosse necessário vir a público e responder a tantas dúvidas e acusações em vez de deixar, por exemplo, seu ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB), clamar por Deus para resolver o problema energético do país.

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