'Os políticos são financiados por essa parte milionária'

Luciana Genro Ex-dep. federal (PSOL) e autora do Projeto de Lei complementar 277, de 2008

iG Minas Gerais |

O governo anunciou uma série de medidas que afetam ainda mais o contribuinte comum. Ao mesmo tempo, o debate sobre o Imposto sobre Grandes Fortunas continua parado. Qual sua avaliação desse cenário?

Esse debate ganha ainda mais relevância neste momento. A Oxfam divulgou um relatório projetando que 1% da população, ou seja, 70 milhões de pessoas, vai controlar, no próximo ano, 50% da riqueza mundial. A outra metade fica para 7 bilhões de pessoas. O próprio Obama reafirmou a necessidade de tributar os mais ricos. Infelizmente, no Brasil, há total surdez para essa discussão, o que é muito conveniente. Os políticos, em geral, são financiados por essa parte milionária, formada por empreiteiras e bancos.

Essas projeções podem favorecer a aprovação do projeto?

O que a gente tem até agora é o oposto. Com Fernando Henrique Cardoso, foram feitas mudanças no sistema tributário que deram isenções a investimentos na Bolsa de Valores, para o Imposto de Renda sobre distribuição de lucro. O ganho de capital é menos tributado que ganhos sobre trabalho, o que é uma injustiça. Agora, temos o veto da Dilma no reajuste da tabela do Imposto de Renda, que está com defasagem de mais de 60% e, a cada ano, aumenta. Lamentavelmente, só vejo possibilidade de mudança nessa lógica se houver uma pressão popular muito grande. Mas, diferentemente da luta contra o aumento da passagem de ônibus e coisas mais palpáveis, é difícil fazer mobilização sobre esse tema. Com o atual governo e mesmo com a oposição de direita no Congresso, fica difícil reverter essa situação. A tendência é a concentração de renda.

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