Água armazenada é suficiente só para um mês de consumo

Chance de racionamento cresce a cada dia e estação chuvosa está aquém do esperado

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Seco. 
Reservatórios de Furnas estão apenas com 11,25% do volume útil, menos nível desde 2000
Venicio Scatolino / Jornal dos L
Seco. Reservatórios de Furnas estão apenas com 11,25% do volume útil, menos nível desde 2000

A água armazenada em todos os reservatórios do país hoje é suficiente para gerar energia e abastecer o Brasil só por um mês. O dado mostra a situação alarmante do sistema energético nacional e reforça a tese de que, dificilmente, será possível escapar de um racionamento em 2015. “Essa reserva de um mês que está armazenada mais a água que vai chegar tem que atender a 60% do consumo nacional (percentual das hidrelétrica na matriz energética) até o fim do ano”, diz o diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina), Roberto D´Araújo. Ele explica que o cálculo da energia armazenada é feito com base nos dados do Operador Nacional do Sistema (ONS). As hidrelétricas geram 62,8% da energia no país. As térmicas respondem por 28,3% e pequenas centrais hidrelétricas, eólicas, solares e outras fontes, por 8,9%.

Para o especialista, além de chuva, faltou também planejamento para que a situação não ficasse tão grave. “Vários projetos que poderiam estar funcionando, ou estão atrasados ou nem saíram do papel. Se tivesse mais usinas, o ritmo de esvaziamento seria menor”, afirma. Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), de setembro do ano passado, mostrou que 79% das usinas hidrelétricas em construção no país não cumpriram o cronograma original. Entre as térmicas, os atrasos chegam a 88%. As causas vão desde problemas nos projetos até conflitos ambientais. O relatório apontava como possíveis consequências dos atrasos a falta de oferta de energia no país e impactos no valor da tarifa cobrada do consumidor. Entre 2009 e 2013 o gasto extra com os atrasos chegou a R$ 8 bilhões. Campanha. D´Araújo diz que há pelo menos três anos o Ilumina vem alertando para os problemas no setor elétrico que poderiam levar ao desabastecimento. “O que é lamentável é que não se fez nada, nem campanhas de conscientização. Seria melhor ter pedido que a população economizasse 5%, 10%, do que o governo chegar daqui a pouco e mandar cortar 30% do consumo”, diz. A situação fica ainda pior porque o que deveria ser a estação chuvosa, está bastante seca. A expectativa é fechar janeiro com apenas 44% da média histórica de chuva no Sudeste, que é a região mais importante por concentrar a maior capacidade de abastecimento. 

Aneel promete incremento de 5,5% na geração até o fim do ano

São Paulo. A capacidade instalada do parque gerador brasileiro deve ser ampliada em 7.303 megawatts (MW) em 2015, o que representará uma adição de 5,5% em relação à oferta potencial de energia ao final de 2014, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo a agência, durante os 15 primeiros dias deste mês, entraram em operação usinas com capacidade instalada de 400,3 MW. No restante do ano, outros 6.903 MW devem estar em estágio operacional. A maior parte virá de projetos hidrelétricos (3.346 MW), seguido de eólico (2.144 MW). A capacidade de usinas termelétricas abastecidas com biomassa terá acréscimo de 1.240 MW. As pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) adicionarão outros 172,5 MW.

Extra virá de Santo Antônio BRASÍLIA. A usina de Santo Antônio, no Rio Madeira, está negociando com o Ministério de Minas e Energia uma entrega extra de energia, de 150 MW, para ajudar no período mais crítico. A energia extra viria das atuais 32 turbinas já instaladas e também das próximas – o projeto total conta com 50 turbinas. A geração, portanto, só atingiria os 150 MW ao final da instalação das máquinas, em novembro de 2016.

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