Chuveirão ameaçado pela seca

Por causa de estiagem, prefeitura analisa cancelar atração, que consome 100 mil litros de água por hora

iG Minas Gerais | jhonny cazetta |

Tradição. Atração famosa do Carnaval de Sabará, chuveirão refresca foliões há 20 anos no município
DANIEL IGLESIAS/O TEMPO
Tradição. Atração famosa do Carnaval de Sabará, chuveirão refresca foliões há 20 anos no município

Uma das atrações mais tradicionais do Carnaval de Sabará, na região metropolitana da capital, pode ficar fora da programação da folia deste ano. O famoso chuveirão – usado há 20 anos para refrescar os foliões com mangueiras d’água – pode ser cancelado em função da estiagem prolongada. A medida está sendo estudada pela prefeitura do município, que promete tomar uma decisão até nesta sexta. Motivo de polêmica, o assunto divide opiniões de moradores e comerciantes da cidade.  

“Está todo mundo falando que temos que economizar água, estou fazendo isso em casa. Regulando até os minutos do banho. Aí chega Carnaval, e eles vão jogar água nos foliões? Parece até piada. Acho que não estamos em um momento para isso”, afirmou o aposentado Carlos Machado, 61.

Opinião semelhante tem a professora Marilda de Souza, 42, que vem diminuindo sua conta de água desde o ano passado. “Não diminuí por causa do dinheiro, e sim por consciência. Não lavo mais minha calçada e tenho lavado menos roupas também. O chuveirão é uma tradição desde quando eu era menor, mas deveriam começar a se esquecer dele. O nosso Carnaval não é só essa mangueira, e seria muito menos tumultuado sem ela”.

Comerciantes ouvidos pela reportagem, no entanto, acreditam que a retirada do chuveirão seria sinônimo de prejuízo. “É o movimento mais chamativo daqui e atrai milhares de pessoas. Sei que estamos em uma época de seca, mas acho que não é tão alarmante para alterar a história da cidade”, ponderou o dono de um bar no centro histórico de Sabará, Alexandre Paschoal, 37.

Proprietário de outro bar na localidade, Armínio Bonoto, 56, disse que, para o Carnaval deste ano, aumentou o volume de compras de bebidas em R$ 10 mil. “Hoje (nesta quarta) mesmo já comprei mais uma remessa de cerveja. Estou comprometendo bastante meu orçamento visando a uma grande demanda. Só que, se isso não acontecer, não gosto nem de imaginar como ficará minha conta no banco. Tinham que nos ter alertado disso antes”, reclamou.

Planejamento. Em contato com a reportagem, a Secretaria de Cultura de Sabará, responsável pelo evento, informou que somente nesta sexta definirá a realização ou não do chuveirão durante o Carnaval de 2015. Por meio de sua assessoria de imprensa, a pasta disse que ainda analisa se os efeitos da estiagem em todo o Estado poderão afetar a realização do evento.

Ao todo, são esperados mais de 70 mil foliões na cidade. Somente para o chuveirão – que normalmente é realizado durante uma hora e consome cerca de 100 mil litros de água – a expectativa de público gira em torno de 20 mil pessoas.

Essa não seria a primeira vez que Sabará ficaria sem o chuveirão durante a folia. Em 2008, o evento foi cancelado após duas pessoas morrerem em um acidente envolvendo um trio elétrico no Carnaval da cidade.

Pré-Carnaval

Nas ruas. Se a programação para o Carnaval de Sabará ainda não está pronta, a do pré-Carnaval já começou. Desde o último dia 16, estão sendo realizados bailes e desfiles de blocos na cidade.

Saiba mais Nova Lima. O Carnaval também está ameaçado em Nova Lima, na região metropolitana. O motivo, porém, não é a estiagem, mas sim a falta de verbas. Até nesta quarta, ainda não havia sido votado o Orçamento anual da prefeitura, o que estaria dificultando a programação da folia de 2015. De acordo com a administração municipal, apesar do interesse do Executivo, a Câmara ainda não possui data para votação do Orçamento. Arrocho. Outras cidades de Minas cancelaram o Carnaval por falta de recursos. Foi o caso de Arcos, São Gonçalo do Pará e Formiga, todas no Centro-Oeste do Estado. Essas cidades, em virtude de crises financeiras, vão utilizar o dinheiro para pagar funcionários e terminar obras.

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