Capital poderá adotar rodízio no abastecimento de água

Assunto estaria sendo discutido internamente na Copasa; empresa não nega, mas se cala

iG Minas Gerais | Angélica Diniz |

Inesperado. Depois de 30 dias sem chuva significativa, temporal pegou belo-horizontinos de surpresa
Lincon Zarbietti / O Tempo
Inesperado. Depois de 30 dias sem chuva significativa, temporal pegou belo-horizontinos de surpresa

Belo Horizonte pode ser a próxima cidade mineira a aderir ao rodízio de distribuição de água. A possibilidade, segundo uma fonte ligada ao abastecimento, já está sendo discutida entre direção e técnicos da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Nesta quarta, procuradas pelas reportagem, as assessorias da empresa e do governo do Estado alegaram não poder dar informações. No início da noite, porém, a estatal enviou uma nota convocando para uma entrevista coletiva nesta quinta, às 17h, “para apresentar diagnóstico sobre a situação do abastecimento de água no Estado de Minas Gerais”.

Diante da longa estiagem e do baixo nível dos reservatórios, o rodízio já foi adotado em cidades como Ouro Preto, na região Central de Minas, e Viçosa e Juiz de Fora, ambas na Zona da Mata. Na capital, bairros como Buritis, na região Oeste, e São Salvador, na Pampulha, vêm sofrendo com a falta de água desde setembro do ano passado. Além disso, reservatórios responsáveis por abastecer a capital estariam em níveis críticos. A represa de Serra Azul, por exemplo, que abastece 8% de Belo Horizonte e cidades da região metropolitana, estaria com 5,8% de sua capacidade. Segundo uma fonte do governo, houve uma redução de 93% do nível da represa – em maio de 2013 ele estava em 83,94% de sua capacidade. E é justamente essa queda constante nos últimos anos que a atual gestão deve usar para justificar a possível adoção de uma medida considerada impopular. Segundo um funcionário do Estado, na entrevista marcada para esta quinta, a nova direção da companhia deve culpar a gestão anterior pela situação crítica. A ideia do comando petista seria dizer que os governos anteriores (do PSDB e do PP) não planejaram nem investiram em políticas públicas para evitar o desabastecimento. Dados fornecidos pelas assessorias do PSDB e do ex-governador Alberto Pinto Coelho (PP) mostram que nas gestões anteriores, de 2003 a 2014, os investimentos da Copasa em Minas foram de R$ 8,4 bilhões – cerca de R$ 3,5 bilhões em abastecimento de água, R$ 4,3 bilhões em esgotamento sanitário e R$ 314,7 milhões em programas de desenvolvimento operacional e ambiental. Sem água. Bairros das regiões Noroeste e Pampulha foram afetados nesta quarta pela falta de água. O funcionário de uma academia no Castelo, na Pampulha, disse que a torneira estava com pouca água desde o início da manhã. “A Copasa não nos avisou nada. Não que eu saiba”.

Negativa Audiência. Em novembro do ano passado, a Copasa descartou qualquer possibilidade de rodízio no fornecimento de água na capital em curto prazo. Em audiência pública na Câmara Municipal, representantes da empresa afirmaram que não havia rodízio e que a situação era delicada, mas confortável. Transparência. Integrante do movimento Nossa BH, Adriana Torres estava na reunião e acredita que a Copasa já fazia cortes sem comunicar a população. “Houve falta de transparência por parte da Copasa, que não informou a real situação dos recursos hídricos na capital”.

Na seca 388 milímetros de chuva é o acumulado de outubro a dezembro em Belo Horizonte. A média histórica é praticamente o dobro, 670 milímetros

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