Semana de escalada de juros

A partir desta quinta, já está mais caro usar cheque especial, comprar a prazo e fazer empréstimo pessoal

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

LEO FONTES / O TEMPO - 14/08/09
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Não está fácil para o consumidor. O ano de 2015 começa com juros mais altos da casa própria, operações de crédito mais caras e aumento da taxa básica de juros, a chamada Selic. Na teoria, ela é a taxa que serve de base para que os bancos – públicos ou privados – calculem seus juros. Portanto, quando o governo sobe a Selic, as taxas praticadas pelos bancos e outras instituições financeiras também devem subir.  

O Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou nesta quarta a Selic em 0,50 ponto porcentual e ela passou para 12,25% ao ano. Foi uma decisão unânime e foi a terceira elevação consecutiva dos juros pelo Banco Central (BC). O reajuste veio logo depois do anúncio de alta da carga tributária e faz com que a taxa atinja o maior nível desde julho de 2011, quando estava em 12,50% ao ano. O temor da alta do preço da energia, que pode chegar a 40%, e seus impactos na inflação também norteou a decisão do BC.

E a partir desta quinta já está mais caro também usar o cheque especial, comprar a prazo no comércio e pedir empréstimo pessoal nos bancos. Entra em vigor nesta quinta o decreto que aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF,) que incide nas operações de crédito para o consumidor. O texto foi publicado nesta quarta no “Diário Oficial da União”. A alíquota passou de 1,5% para 3% ao ano. Esse valor será cobrado além dos 0,38% que incidem na abertura das operações de crédito. Com essa medida, o governo espera arrecadar R$ 7,38 bilhões somente neste ano.

Essa e outras medidas de aumento de tributos foram anunciadas, na última segunda-feira, pelo ministro Joaquim Levy. Além da alteração do IOF, também houve aumento de tributos sobre combustíveis e sobre produtos importados.

O aumento do IOF significa que o consumidor vai pagar mais quando for comprar, por exemplo, uma geladeira a prazo. De acordo com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), na simulação de um financiamento de uma geladeira que custa hoje R$ 1.500, antes da alíquota subir, o consumidor pagaria 12 parcelas de R$ 170,96 e, agora, passará a pagar prestações de R$ 173,48. Isso significa que agora o produto vai ter custado R$ 2.081,76 ao fim das prestações (ver simulação).

Financiamento imobiliário.Os mutuários que querem financiar a compra da casa própria com recursos da poupança também já estão pagando mais. A Caixa Econômica Federal (CEF) reajustou os juros das operações contratadas por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). As novas taxas valem para os financiamentos concedidos a partir do último domingo. Os mutuários que já assinaram contrato não terão mudança. Os imóveis financiados com recursos do FGTS ou pelo Programa Minha Casa, Minha Vida também não sofrerão alterações.

No Sistema Financeiro de Habitação (SFH), apenas a taxa para quem não é correntista da Caixa não mudou, sendo mantida em 9,15% ao ano. Para os correntistas do banco, os juros subiram de 8,75% para 9% ao ano. Os mutuários com conta na Caixa e que recebem salário por meio do banco passaram a pagar 8,7% ao ano de juros, em vez de 8,25% ao ano.

Para os servidores públicos, a taxa aumentou de 8,6% para 8,7% ao ano para os correntistas. Para os servidores com conta na Caixa e que recebem salário pelo banco, os juros passaram de 8% para 8,5% ao ano.

No Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), que segue regras de mercado e não tem limite de valor para os imóveis, a taxa para quem não tem relacionamento com a Caixa subiu de 9,2% ao ano para 11% ao ano. Para outras categorias, também houve aumento.

CNI

Crítica. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou a elevação da taxa básica de juros da economia. Para a confederação, o aumento dos juros dificultará recuperação da economia.

Exemplos de simulações Uso do cheque especial por 20 dias no mês Valor: R$ 5.000,00 Taxa de juros: 8,92% ao mês (média) Antes (com IOF de 1,5% ao ano): R$ 350,58 (juros mais IOF). Agora (com IOF de 3% ao ano): consumidor passará a pagar um valor de R$ 355,09 (juros mais IOF) A elevação do IOF representa uma elevação de R$ 4,51 no valor mensal a pagar Financiamento de uma geladeira (12 meses) Valor: R$ 1.500,00 Taxa de juros: 4,85% ao mês (média) Antes (com IOF de 1,5% ao ano): 12 parcelas de R$ 170,96 (total de R$ 2.051,52) Agora (com IOF de 3% ao ano): 12 parcelas X R$ 173,48 (total de R$ 2.081,76) A elevação do IOF representa elevação de R$ 2,52 na prestação e de R$ 30,24 no financiamento

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