Relatório acusa Israel de atacar indiscriminadamente civis e militares

Apesar de afirmar o contrário, os militares israelenses não fizeram advertências suficientes para permitir aos civis evacuar zonas residenciais antes de atacá-las

iG Minas Gerais | AFP |

Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu
AP Photo/Menahem Kahana, Pool
Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu

O exército israelense atacou, sem fazer distinção, civis e militares na Faixa de Gaza durante a guerra do verão de 2014 no hemisfério norte, informaram especialistas em um relatório divulgado por uma organização não-governamental.

Apesar de afirmar o contrário, os militares israelenses não fizeram advertências suficientes para permitir aos civis evacuar zonas residenciais antes de atacá-las, segundo estes oito especialistas contratados pela associação israelense Médicos pelos Direitos Humanos.

Os especialistas interrogaram 68 cidadãos de Gaza hospitalizados durante os 50 dias que durou o conflito, que deixou 2.200 mortos palestinos e mais de 10.000 feridos.

Mais de 70 pessoas, a maioria soldados, morreram do lado israelense.

"Os ataques se caracterizaram por intensos e imprevisíveis bombardeios de bairros civis de tal forma que não conseguia distinguir entre alvos legítimos e população protegida", indicou o informe.

"Em muitos casos (...), múltiplos ataques consecutivos em uma única localidade deixaram muitas vítimas civis, assim como socorridos feridos ou mortos", afirmou.

"Os intensos bombardeios sem advertência prévia contra bairros civis (...) não parecem ser resultado de decisões de soldados ou comandantes isolados, mas ter obtido o aval de altos dirigentes do exército ou do governo israelense", acrescentou.

"Lançar uma bomba de 'advertência' no meio da noite e dar dois minutos a civis que estão dormindo, crianças ou idosos, para deixar o prédio e percorrer 300 metros para se refugiar casou a morte de muitos civis na frente de suas casas", afirmou à AFP o diretor da ONG local de defesa dos Direitos Humanos Al Mizan, que coletou dados para o informe, Esam Yunes.

O exército israelense estimou que o relatório está "baseado em dados unilaterais e incorretos provenientes de fontes parciais", assegurando ter ido além das "obrigações do Direito Internacional", com a finalidade de "minimizar os danos colaterais civis".

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