Preso médico que estuprou paciente

Cardiologista condenado em 2010 teve o direito de recorrer da sentença em liberdade

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

Um cardiologista de família tradicional de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, condenado por abusar sexualmente de duas pacientes, foi preso na última sexta-feira, dia 16, na capital, e apresentado à imprensa na tarde desta quarta-feira (21) na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Betim.

Segundo a delegada Ariadne Elloise Coelho, o médico Renato Mussi Lara Safara, de 50 anos, foi preso por cumprimento de um mandado de prisão expedido em dezembro de 2014 pelo juiz da 1ª Vara Criminal da Comarca do município.

Ele havia sido condenado em 2010 pelos crimes de atentado violento ao pudor e atentado violento ao pudor mediante fraude, porém teve o direito de recorrer da sentença em liberdade. As pacientes, ambas de 20 anos, foram abusadas por Safar na extinta clínica dele, conhecida como Divina Providência, nos anos de 2005 e 2006. Na época, os abusos foram denunciados à polícia pelas vítimas.

“Os crimes são antigos e, apesar de o médico ter sido condenado em 2010, ele só foi preso agora porque a pena definitiva para o crime de 2005 saiu no fim do ano passado. Já o caso de 2006 prescreveu”, informou a delegada.

Segundo ela, o médico foi preso no bairro Prado, na capital, próximo à clínica onde ele continuava atendendo. “Depois que ele foi condenado, ele abriu um clínica em BH e se mudou para lá, onde continuou trabalhando normalmente”, ressaltou Ariadne.

Safar já tinha registros anteriores pelo delito de atentado ao pudor mediante fraude e procedimentos baixados na cidade de Pará de Minas, onde também era investigado por crimes sexuais. “Para fins de direito, ele não tem nenhum antecedente criminal, mas já tem uma conduta social voltada para esses crimes, tanto que já fez um acordo com o Ministério Público e o juizado penal”.

Semelhança

O caso de Renato Safar lembra o do ex-ginecologista Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão por 52 estupros e quatro tentativas de abuso contra 39 pacientes.

Acusado induzia as vítima a práticas libidinosas

A delegada Ariadne Elloise Coelho explicou que Renato Mussi Lara Safar usava da condição de médico para induzir as vítimas à prática de atos libidinosos. “Com o pretexto de examiná-las, ele as acariciava. Em um delas, ele chegou a esfregar o pênis nas nádegas, nas costas, e utilizou de força física para jogá-la em uma cadeira. Renato também esfregou o órgão genital no rosto da paciente e lambeu a sua orelha”, contou.

Após ser apresentado à imprensa, o médico foi levado para o presídio em Ribeirão das Neves. Com frases desconexas e afirmando ser vítima de um erro judicial, ele limitou-se a dizer que a situação será esclarecida com o tempo. 

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