Obama proclama sucesso econômico e defende fim do embargo a Cuba

Diante do Congresso, presidente norte-americano afirmou que os EUA superaram os anos de guerra e de dificuldades econômicas e "viraram a página" da recessão

iG Minas Gerais | AFP |



WASHINGTON, DC - JANUARY 20: U.S. President Barack Obama delivers his State of the Union speech before members of Congress in the House chamber of the U.S. Capitol January 20, 2015 in Washington, DC. Obama was expected to lay out a broad agenda to including attempts to address income inequality and making it easier for Americans to afford college education and child care. Rob Carr/Getty Images/AFP
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WASHINGTON, DC - JANUARY 20: U.S. President Barack Obama delivers his State of the Union speech before members of Congress in the House chamber of the U.S. Capitol January 20, 2015 in Washington, DC. Obama was expected to lay out a broad agenda to including attempts to address income inequality and making it easier for Americans to afford college education and child care. Rob Carr/Getty Images/AFP

O presidente Barack Obama afirmou nesta terça-feira (20) que os Estados Unidos superaram os anos de guerra e de dificuldades econômicas e "viraram a página" da recessão, em um discurso à Nação no qual propôs o fim do embargo a Cuba.

"Se passaram quinze anos deste novo século, quinze anos que começaram com um ataque terrorista em nossas costas que criaram duas guerras, longas e custosas, e que viram uma selvagem recessão que se expandiu pelo país e o mundo. Foi e continua sendo um tempo difícil para muitos, mas esta noite viramos esta página".

Diante dos recentes indicadores econômicos positivos, que incluem o maior crescimento em 11 anos, um déficit decrescente, uma produção industrial a pleno vapor e condições energéticas excepcionais, os Estados Unidos "têm mais liberdade para escrever o seu futuro do que qualquer outro país da Terra".

Ao abordar um de seus temas recorrentes, o crescente abismo entre ricos e pobres nos Estados Unidos, Obama desafiou os legisladores: "Aceitaremos uma economia onde apenas alguns poucos de nós vão espetacularmente bem? Ou vamos nos comprometer com uma economia que gera renda e oportunidades crescentes para todos que se esforçam"?

"O veredicto é claro: a economia para as classes médias funciona", assinalou o presidente.

Obama propôs aumentar a carga tributária sobre os mais ricos, assinalando que no prazo de duas semanas enviará ao Congresso mais detalhes sobre este plano.

Diante de um Congresso dominado por seus adversários republicanos, Obama apresentou suas prioridades para investir os frutos da recuperação econômica: facilitar o acesso à propriedade, melhorar o acesso à internet de alta velocidade e a gratuidade dos "community colleges", centros universitários de formação de curta duração.

Em outro trecho do discurso, Obama disse que o Congresso deve trabalhar em 2015 em iniciativas para acabar com o embargo econômico a Cuba, visando o fim de "um legado de desconfiança em nosso hemisfério".

Ao adotar uma nova abordagem em nossas relações com Cuba, "estamos acabando com uma política que deveria ter terminado há muito tempo". "Quando alguém faz algo que não funciona durante cinquenta anos, chega a hora de testar algo novo".

Obama recordou que o Papa Francisco lhe disse que a diplomacia é um trabalho de "pequenos passos". "Estes pequenos passos estão se somando para dar uma nova esperança ao futuro de Cuba".

O empreiteiro americano Alan Gross, que passou cinco anos em uma prisão cubana por "atentados à segurança do Estado" e foi libertado em dezembro, mereceu uma saudação especial de Obama.

"Após passar anos na prisão, o fato de que Alan Gross esteja novamente entre nós nos enche de alegria: bem-vindo à casa, Alan", disse Obama a Gross, um dos convidados de honra da cerimônia.

Poder para combater o Estado Islâmico

Na frente internacional, Obama pediu poderes adicionais ao Congresso para utilizar a força militar contra o Estado Islâmico (EI), grupo jihadista que controla um enorme território entre Iraque e Síria.

"Em vez de sermos arrastados para uma nova guerra no Oriente Médio, estamos liderando uma ampla coalizão, que inclui nações árabes, para desgastar e finalmente derrotar este grupo terrorista".

"Estamos dando apoio a grupos moderados na Síria para que possam nos ajudar neste esforço, e oferecendo suporte às pessoas que combatem a ideologia fracassada da violência extremista".

"Esta noite peço a este Congresso que mostre ao mundo que estamos unidos nesta missão, aprovando uma resolução que autorize o uso da força contra o EI".

"Estes esforços exigirão tempo. Vão requerer concentração, mas teremos sucesso. Estes militantes acabarão sendo derrotados".

"No Iraque e na Síria, a liderança americana - incluindo nosso poderio militar - está contendo o avanço do EI", disse Obama sobre a campanha aérea contra o grupo jihadista, ainda baseada nas leis aprovadas após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Obama manifestou sua solidariedade para com as vítimas do terrorismo, após os recentes ataques contra uma escola no Paquistão e o jornal Charlie Hebdo em Paris.

"Em primeiro lugar, nos manteremos unidos em nossa solidariedade para com as pessoas de todo o mundo que foram atacadas por terroristas, desde uma escola do Paquistão até as ruas de Paris".

Contra os estereótipos e pela liberdade de expressão

Obama condenou o "deplorável antissemitismo que tem ressurgido em certas partes do mundo", e rejeitou igualmente os "estereótipos ofensivos sobre os muçulmanos".

A maioria dos muçulmanos "compartilha nosso compromisso com a paz".

Os americanos "respeitam a dignidade humana, inclusive quando estão ameaçados", afirmou, acrescentando que durante sua administração combateu "a tortura e trabalhou para garantir que o uso de novas tecnologias, como os drones, seja devidamente limitado".

É por essa visão do mundo que "meu governo defende a liberdade de expressão (...) e a libertação dos presos políticos, e condena a perseguição das mulheres, das minorias religiosas e de homossexuais, bissexuais e transsexuais".

O presidente afirmou ainda que não cederá em sua determinação de concluir o fechamento da prisão na base militar de Guantánamo. "Chegou a hora de concluir este trabalho. Não vou ceder em minha determinação de fechá-la. Não somos assim".

 Rússia, Ucrânia e Irã

Obama afirmou que "as grandes potências não podem intimidar as pequenas", em referência explícita à "agressão" à Ucrânia por parte da Rússia.

"Estamos defendendo o princípio de que as grandes nações não podem intimidar as pequenas: é o que estamos fazendo ao enfrentar a agressão russa apoiando a democracia na Ucrânia e tranquilizando nossos aliados da Otan".

O presidente recordou que em 2014, enquanto Washington se dedicava ao "difícil trabalho de impor sanções (ao Irã) junto aos nossos aliados, alguns sugeriram que a agressão do senhor (presidente russo Vladimir) Putin era uma exibição magistral de estratégia e força".

"O certo é que quem se mantém hoje forte e unido aos nossos aliados são os Estados Unidos, enquanto a Rússia está isolada e com uma economia em ruínas. É deste modo que os Estados Unidos lideram: não com fanfarronices, mas com determinação persistente e constante".

Em relação ao Irã, Obama afirmou que vetará qualquer iniciativa do Congresso de adotar novas sanções contra Teerã, afirmando que tais medidas minarão os esforços diplomáticos.

"Estas medidas afastarão os Estados Unidos de seus aliados e levarão o Irã de volta a seu programa nuclear. Isto não tem sentido...".

"Nossa diplomacia está funcionando no Irã, onde pela primeira vez, em uma década, detivemos o progresso de seu programa nuclear e reduzimos seu material nuclear", afirmou o presidente.