Polanski na mira dos EUA

Mesmo após receber o perdão da vítima, cineasta pode ser extraditado e processado pela Justiça norte-americana

iG Minas Gerais |

Passado. Aos 80 anos de idade, Roman Polanski pode responder por estupro cometido em 1977
Christian Hartmann/afp photo
Passado. Aos 80 anos de idade, Roman Polanski pode responder por estupro cometido em 1977

SÃO PAULO. Promotores poloneses enviaram um pedido à Justiça daquele país para extraditar o cineasta Roman Polanski para os Estados Unidos, onde ele é processado sob a acusação de ter estuprado uma adolescente em 1977. 

Os futuros andamentos nesse caso irão depender da corte, informou o escritório da promotoria num comunicado. O próximo passo será a análise, pela Justiça de Cracóvia, do pedido. Caso ele seja aceito, será enviado ao ministro da Justiça da Polônia para que ele tome a decisão final.

Roman Polanski foi condenado por estupro em 1977, crime que ele confessou, após ter violentado a então adolescente Samantha Geimer, 13, durante uma sessão de fotos em Los Angeles regada a champanhe e drogas.

Polanski, que está se preparando para rodar um filme na Polônia, onde nasceu, já havia sido convocado a depor a promotores do país quanto ao pedido de extradição feito pelos EUA.

Em conferência de imprensa, na semana passada, o diretor havia dito que não acreditava que poderia ser extraditado. “Se chegar a uma extradição, o que eu não imagino, então aí eu terei um problema, mas espero que não chegue a isso”, afirmou.

Polonês, o diretor de filmes como “Chinatown”, “O Pianista” e “O Bebê de Rosemary” vive na França. Após o crime, Polanski chegou a ser detido por 42 dias, antes de sair a sentença. Ele fugiu dos EUA em 1978, acreditando que o juiz do caso o condenaria. Em 2009, o cineasta foi preso em Zurique, na Suíça, e mantido sob prisão domiciliar. Foi liberado no ano seguinte após autoridades suíças decidirem não extraditá-lo para os EUA.

Durante uma entrevista para a TV concedida em 2011, Samantha Geimer afirmou que a mídia e a Justiça haviam lhe causado muito mais danos a ela e à sua família do que os danos que Roman Polanski havia lhe causado. Disse também que o juiz do caso a estaria usando para ganhar exposição.

Antes disso, em 2009, Samantha lançou o livro “The Girl – A Life in The Shadow of Roman Polanski”, no qual deixa claros o seu perdão ao diretor e o desejo de deixar o episódio para trás “Hoje em dia ele compreende que foi algo ruim. Eu o perdoei há muito tempo e acho que deveriam deixá-lo retornar aos EUA. Qualquer que seja o desfecho, será tarde demais pra mim. As pessoas nunca vão se esquecer do caso. Serei para sempre aquela menina”, diz, em trecho do livro que ganhou versão em português em 2013, quando “A Menina – Uma Vida à Sombra de Roman Polanski” foi publicado pela Ed. Leya.

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