“Meca” chega a Londres e NY em 2016

Rodrigo Santanna, diretor do festival, revela como recruta artistas e suas pretensões para o ano que vem

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Livre. Meca Festival preza por áreas livres, como a praia de Xangrilá, no Rio Grande do Sul (foto)
meca festival/divulgação
Livre. Meca Festival preza por áreas livres, como a praia de Xangrilá, no Rio Grande do Sul (foto)

Na primeira edição do Meca Festival, ainda em 2011, os sonhos do empresário Rodrigo Santanna, sócio-diretor do evento, foram muito além do que ele poderia imaginar ao organizar shows de bandas nova-iorquinas e britânicas pouco badaladas, na paradisíaca praia de Xangrilá, no Rio Grande do Sul. Nessa ocasião, a Vampire Weekend se apresentava pela primeira vez no Brasil abarcada pela então boa e crescente repercussão do álbum “Contra” (XL Recordings, 2010), enquanto o Two Door Cinema Club era praticamente estranho ao público tupiniquim.  

No ano seguinte, as duas bandas já figuravam como histeria coletiva de um público jovem e sedento por novidade no Brasil. “A gente viu que uma das boas pegadas do festival era apresentar bandas gringas ao público brasileiro segmentado, que busca conhecer esse tipo de música e precisa ter o acesso facilitado. E isso funcionou”, avalia Santanna.

A ideia de fazer um festival intimista, nos moldes europeus, onde o público seria seleto – no máximo 6.000 pessoas – acabou virando uma vontade de correr mundo. Por isso, a partir de 2016, o Meca Festival também deverá acontecer pela primeira vez no exterior, ocupando pontos de Nova York e Londres. “Os lugares e o line-up estão sendo cogitados, mas nada de adiantar por enquanto”, reforça Santanna.

Apesar de ter uma inspiração explícita em festivais gringos como o Coachella , que reúne anualmente cerca de 70 mil pessoas em um deserto na Califórnia, a premissa do Meca continua sendo público restrito.

“Lá fora eles têm estrutura para manter um segmento com milhares de pessoas no evento. Tenho o Coachella como um irmão mais velho do Meca. Não queremos ser igual a eles porque no nosso país é importante manter o público dentro de um nicho e não abrir isso para uma estrutura de massas com vários outros estilos musicais”, acrescenta Santanna.

Mesmo tendo a máxima de não chegar a 10 mil pessoas de público em suas edições, o festival tem conseguido atiçar a vontade de artistas gringos virem ao Brasil em uma época literalmente fria para shows na Europa e também nos EUA.

Um dos exemplos mais claros é a vinda do duo francês La Roux pela primeira vez ao Brasil, graças ao Meca – o que gerou uma histeria em fãs que não conseguiram ver a banda até hoje nos palcos alternativos, nem de grandes festivais, como Lollapallozza e Rock In Rio.

Santanna explica que, apesar do festival ter um alto investimento financeiro, isso não está atrelado necessariamente a dinheiro, mas sim à forma como o Meca recruta os artistas selecionados.

“Fazemos convites para artistas virem ao Brasil durante o verão – eles se sentem mais atraídos de início –, conhecer três quatro ou cidades, entrar em contato com a cultura local, aproveitar a praia no Rio de Janeiro etc. Além disso, temos uma preocupação em convidar esses artistas para nossas casas e de amigos, fazemos eventos menores em boates e restaurantes, por exemplo, para que eles se sintam acolhidos, muito além de simplesmente fazer um show”, explica.

“Isso nos ajuda a negociar de uma forma mais interessante. Foi assim que conseguimos trazer o La Roux para o Brasil, sem precisar de um acordo comercial absurdo”, diz ele, pontuando apenas que o Meca Festival também “gira na casa dos milhões”, mas sem revelar qual o valor de investimento do evento e nem o cachê das atrações principais que desembarcam no Brasil para agitar um público jovem e muitas vezes volúvel quanto a novidades velozes.

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