Um templo pop em Inhotim

Promissor evento gaúcho leva shows de AlunaGeorge e Citizens! ao maior museu a céu aberto da América Latina

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Promessa. O quinteto britânico Citizens! deve tocar músicas inéditas do seu segundo disco, ainda sem data de lançamento
MecaFestival
Promessa. O quinteto britânico Citizens! deve tocar músicas inéditas do seu segundo disco, ainda sem data de lançamento

A ideia é ousada. O conceito também. Ser o menor maior festival de música do mundo. E tendo sempre um cenário cinematográfico como pano de fundo para shows de promessas do pop. Com público restrito e bem segmentado, o brazuca Meca Festival chega a sua quinta e maior edição, com quatro cidades no roteiro, incluindo Brumadinho, onde AlunaGeorge e a banda britânica Citizens! vão ocupar parte do Innhotim, nesta sexta-feira à tarde, em dois shows inéditos para Minas Gerais. A versão completa do Meca ainda traz shows de Years & Years e La Roux pela primeira vez ao Brasil, na edição paulista do festival.  

Ainda filhote comparado aos festivais que o inspiraram, como o Coachella Valley Music and Arts Festival, que acontece no deserto da Califórnia, e o Iceland Airwaves Festival, na Islândia, o Meca Festival está na lista de promessas de eventos em expansão, com previsão de chegar à Europa e aos EUA ano que vem (leia mais na página 2). Tanto que no ano passado estreou no Rio de Janeiro e em São Paulo – depois de três edições em um hotel fazenda paradisíaco em Maquiné (RS) – trazendo a banda inglesa Friendly Fires, atração do Lolapalloza em 2012, e a cantora inglesa Charli XCX, que integrou uma turnê de verão do Coldplay em 2012.

Neste ano, além do eixo Rio-São Paulo e da charmosa cidade gaúcha, a principal aposta do festival é de uma edição chamada de Meca Special, em Inhotim. Além de aproveitar o cenário do maior museu aberto da América Latina, a ideia é que Inhotim abra as portas para os gringos também começarem a frequentar o festival. “A gente costuma brincar que Inhotim foi nossa terra prometida. A intenção é que esse lugar maravilhoso abra as portas internacionais para uma possível edição global do Meca. Com essa parceria, chegamos mais perto do sonho de trazer gente de fora para prestigiar o festival”, revela Rodrigo Santanna, sócio-diretor do Meca Festival.

O diretor executivo do Istituto Inhotim, Antonio Grassi, reforça ainda que o museu passou a investir na curadoria artística desde a série de concertos, a partir do meio do ano passado, que trouxe Naná Vasconcelos, João Bosco e Lenine em um show com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. “No caso do Meca, foi interessante a ideia de trabalhar um nicho de público jovem. E cada vez mais temos recebido convites de eventos desse porte”, avalia.

Por isso, Inhotim recebeu uma atenção ímpar na montagem de toda a estrutura que vai receber AlunaGeorge e Citizens! no Meca Special. O local escolhido para as apresentações foi o Magic Square, a obra-instalação formada por paredes coloridas de Hélio Oiticica, e inaugurada no fim de 1970. “Vamos ter uma estrutura de rider e backline bem complexa porque são artistas internacionais. Mas prezamos por interferir o mínimo possível no ambiente, por isso o palco será intimista e pequeno, pois Inhotim é um cenário pronto. O público vai interagir com a obra do Oiticica, tendo acesso a ela enquanto os shows acontecem. É uma experiência de proximidade com o lugar incrível que escolhemos”, explica Santanna.

Shows. Como é inerente à veia artística do evento, novidades indie e pop são a cara do Meca Festival – e não importa muito se as pessoas vão ou não se lembrar de bandas que pipocam no submundo da música indie hoje em dia com a mesma velocidade que desaparecem no imaginário fonográfico.

Na onda das apostas, o público mineiro confere, a partir das 14h, o som do quinteto britânico Citizens!, que apesar de ter sido formado em 2010, carrega na bagagem uma turnê mundial que rodou por Austrália, Ásia, América do Sul e América do Norte. A banda toca o seu indie pop pelo segundo ano seguido no festival, ainda ancorada pelo álbum “Here We Are” (Kitsuné, 2012), produzido por Alex Kapranos, vocalista do Franz Ferdinand. A novidade é que Tom Burke (vocais), Thom Rhoades (guitarra), Martyn Richmond (baixo), Lawrence Diamante (teclados) e Mike Evans (bateria) também podem antecipar canções novas do segundo álbum de estúdio, ainda sem data para ser lançado.

A partir das 16h, AlunaGeorge sobe ao palco. O duo britânico formado pela cantora Aluna e o produtor George virou febre nas rádios britânicas e na BBC , além de ter conquistado a opinião do “The Guardian” como uma banda corajosa por experimentar “coisas estranhas”, após o bem recebido álbum “Body Music” (Tri Angle, 2013). A dupla é marcada pela voz “infantil” de Aluna e as programações eletrônicas de George, que mesclam R&B, dubstep e um pop futurista. “Nesses cinco anos de festival, percebemos a formação e a inclusão do público nessa nova música gringa. Ninguém conhecia Vampire Weekend e Two Door Cinema Club na época que eles vieram ao “Meca”, mas hoje são bandas cultuadas em festivais indies”, completa Rodrigo Santanna.

Programe-se

Outros. O “Meca Festival” ainda terá uma edição em São Paulo, neste sábado, dia 24. Por lá, além das atrações que tocam em Minas, haverá shows de La Roux e Years & Years.

Agenda

O QUE. Meca Festival

ONDE. Inhotim (rua B, 20, centro de Brumadinho)

QUANDO. Sexta, às 14h

QUANTO. O evento faz parte da programação gratuita do Inhotim. Será cobrada a entrada ao museu: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)

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