Empresas buscam máquina que imite o prazer de fumar

Ativistas contra o fumo temem que tecnologia atraia novos fumantes

iG Minas Gerais | Barry Meier |

Laboratório. Empresas como a Philip Morris International (acima) estão investindo no mercado potencial de cigarros alternativos
NIELS ACKERMANN
Laboratório. Empresas como a Philip Morris International (acima) estão investindo no mercado potencial de cigarros alternativos

Neuchatel, Suíça. Dentro de um centro de pesquisas modernista na beira de uma montanha, máquinas automatizadas de fumaça fazem testes para descobrir o futuro da nicotina. Os cientistas da Philip Morris International estão conduzindo pesquisas para encontrar maneiras de oferecer a nicotina – o composto viciante das grandes companhias de tabaco – menos perigosas do que os cigarros, mas que ainda tenham o impacto da droga e seus outros prazeres.  

A corrida das empresas de tabaco para desenvolver novas maneiras de vender nicotina acontece ao mesmo tempo em que mais consumidores estão experimentando cigarros eletrônicos, instrumentos que esquentam um fluido contendo nicotina para criar um vapor que os usuários inalam. Apesar de apenas uma pequena porcentagem dos fumantes ter passado a usar os cigarros eletrônicos – especialistas dizem que os pioneiros não ofereciam nicotina suficiente para satisfazer os desejos dos fumantes – as grandes companhias de tabaco estão empregando seus recursos financeiros e conhecimento em uma aposta para dominar um mercado potencialmente enorme de cigarros alternativos.

Nicotina. Além da dificuldade de replicar importantes aspectos sensoriais de fumar, como o sabor, o grande obstáculo para os novos equipamentos, dizem os especialistas, é entregar nicotina com a eficiência de um cigarro. Segundos após uma tragada, o fumante sente os efeitos calmantes da nicotina, porque os componentes produzidos com a queima do tabaco têm o tamanho perfeito para carregá-la profundamente para dentro dos pulmões, permitindo que a droga chegue ao cérebro com rapidez. Esses mesmos componentes, que coletivamente são conhecidos como alcatrões, também causam câncer e outras doenças.

Em comparação, o tipo de vapor gerado por cigarros eletrônicos, afirmam os especialistas, consegue carregar a nicotina com menos eficiência do que a fumaça.

Como o cigarro eletrônico não produz o mesmo nível de nicotina que o cigarro comum, usuários dos cigarros eletrônicos frequentemente partem para equipamentos maiores conhecidos como canetas de vapor que possuem baterias mais poderosas e são capazes de aquecer mais. Mas mais calor para aumentar os níveis de nicotina também pode resultar em níveis mais altos de toxinas e carcinogênicos, dizem os especialistas.

Outra opção é o bastão de tabaco, que é esquentado a um ponto antes da combustão, produzindo um vapor parecido com aerosol, que possui quase a mesma quantidade de nicotina de um cigarro. A Philip Morris International ainda tem planos de lançar outro instrumento que esquenta sem queimar em 2016; o elemento de calor desse equipamento pode ser aceso com um fósforo, da mesma maneira que o cigarro, mas o bastão de tabaco não queima.

Alguns pesquisadores de saúde pública criticam produtos que esquentam sem queimar dizendo que mesmo aquecer tabaco gera substâncias carcinogênicas. Os funcionários da Philip Morris International, como Picavet, contestam, afirmando que o equipamento mais seguro para fornecer nicotina não têm valor a não ser que os fumantes queiram usá-lo. Os produtos que esquentam sem queimar, argumentam, dá aos consumidores o que eles querem com o que parece ser menos riscos à saúde.

No passado, produtos que substituíam o cigarro, como chicletes e adesivos, normalmente falharam porque soltavam a nicotina lentamente ou em quantidades muito pequenas para satisfazer os fumantes. E em um ponto tanto os executivos da indústria quanto seus críticos parecem concordar. Para os novos produtos alternativos terem sucesso tanto do ponto de vista financeiro quanto do ponto de vista da saúde pública, eles vão precisar entregar nicotina em quantidade e rapidez parecidos com os dos cigarros.

Vendas

Lucro. A nova indústria ainda é pequena, com vendas globais de US$ 5 bilhões em 2014 comparadas a mais de US$ 800 bilhões dos produtos de tabaco, de acordo com estimativas da Wells Fargo Securities.

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