Paco, 3

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Se ele pudesse falar, diria que já não quer mais ter 1 milhão de amigos. Prefere a companhia de poucos e bons. De preferência dos mais antigos, mas não é regra. Sacou que quantidade está longe de ser qualidade. Diria que agora não é todo mundo que ele recepciona com cheiradinhas amigáveis. Não. Porque há aqueles de quem é preciso manter distância. E um simples “arrrrrr” resolve o problema. E diria que não leva mais desaforo pra casa. Nunca começa uma briga, mas não se acovarda diante de uma provocação. Diria que sim, que me protege quando estamos sozinhos na praça, pois acha que é esse o seu dever, talvez porque na maior parte do tempo se sinta protegido por mim. Uma troca, sabe como é? Diria que está mais atento aos barulhos que vêm de fora, mas nada de neurotizar e achar que tudo é uma ameaça. Take it easy, man... Diria que adora quando coloco gelo na água, que a sensação é tão refrescante que ele tem vontade de nunca mais parar de beber. Que gosta dessa história de almoçar e jantar quando lhe “dá gana”, sem aquele negócio de ter que comer nos horários preestabelecidos ou “já era”. Diria que não adianta, mesmo que viva cem anos: vai continuar a se interessar por novos sabores, e ele pode estar na bolsinha que trago da rua, ou no lixo que alguém deixou de colocar pra fora, ou nas bobagens que encontra por aí. Diria que todo mundo fala que não pode, mas alguma das tantas vezes em que comeu ele passou mal? Então por que não colocar queijo no seu menu? Diria que gosta, sim, de andar de carro, só não precisa ficar se exibindo com a cara pra fora e as orelhas ao vento, como fazem tantos por aí. Prefere ficar sentado e observar tudo pela janela e, de vez em quando, sentir os cheirinhos das ruas chegando calmamente a suas narinas. Diria que adora ir à praça e passear, mas não qualquer passeio. Gosta de natureza: trilha, lagoa, terra, grama. Diria que tia Memé foi a que melhor o definiu: é hippie. Então, esqueça essa história de boteco, piscina, shopping, restaurante. Diria que nada, nada, nada neste mundo é melhor do que receber e dar carinho. E que seu lema para sempre será: “Todo o amor que houver nessa vida”. Diria que amanhã completa três anos de vida, que não faz falta festa nem presente, só amor. Diria que amadureceu, mas que algumas coisas nunca mudam.

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